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quarta-feira, 17 de junho de 2026 às 10:38 GMT+0

Colômbia trabalha menos, ganha mais e mantém o emprego em alta: O que o Brasil pode aprender?

Enquanto o Brasil debate a redução da jornada de trabalho e o futuro da escala 6x1, a Colômbia está concluindo uma das maiores mudanças trabalhistas de sua história recente. A partir de julho de 2026, os trabalhadores colombianos passarão a ter uma jornada máxima de 42 horas semanais, sem redução salarial. O mais curioso é que a mudança ocorreu em meio a um cenário de desemprego historicamente baixo e crescimento do emprego formal.

Como a Colômbia reduziu a jornada de trabalho

  • A reforma foi aprovada em 2021 e implementada gradualmente ao longo de cinco anos, reduzindo a carga semanal de 48 para 42 horas.
  • Diferentemente das propostas discutidas no Brasil, a legislação colombiana não exige obrigatoriamente dois dias de folga por semana e permite acordos mais flexíveis entre empresas e trabalhadores.

Menos horas e salários maiores

Além da redução da jornada, reformas posteriores ampliaram benefícios trabalhistas, incluindo:

  • Aumento significativo do salário mínimo.
  • Expansão do período considerado trabalho noturno.
  • Melhoria da remuneração para diversos trabalhadores.

Essas mudanças elevaram os custos trabalhistas para as empresas, mas também aumentaram o poder de compra dos empregados.

O Mercado de trabalho entrou em crise?

Até o momento, não.

  • Especialistas destacam que o emprego formal continua crescendo e que a taxa de desemprego permanece próxima das mínimas históricas. Algumas análises indicam que centenas de milhares de contratações ocorreram para compensar a redução das horas trabalhadas.
  • No entanto, há divergências sobre os impactos econômicos de longo prazo.

Os desafios enfrentados pelas empresas

Nem tudo ocorreu sem dificuldades. Muitos empresários relatam:

  • Redução dos horários de funcionamento.
  • Maior investimento em automação.
  • Aumento de custos operacionais.
  • Revisão de planos de expansão e contratação.

Setores como comércio, hotelaria, restaurantes, bares e vigilância privada estão entre os mais afetados pelas mudanças.

O segredo da transição: Fazer aos poucos

  • Um dos pontos mais elogiados por economistas foi a implementação gradual da reforma.
  • Em vez de uma mudança brusca, empresas e trabalhadores tiveram vários anos para adaptar processos, escalas e investimentos. Essa transição lenta é apontada como um dos principais motivos para evitar impactos negativos mais severos no mercado de trabalho.

O exemplo do Chile reforça a tendência

  • O Chile também está reduzindo sua jornada semanal para 40 horas de forma gradual.
  • Além disso, estudos sobre reformas anteriores no país mostram que reduções moderadas da carga horária tiveram efeitos pequenos sobre o emprego, especialmente quando acompanhadas por períodos de adaptação e reorganização das empresas.

Uma tendência mundial em crescimento

  • A discussão sobre trabalhar menos sem reduzir salários não está restrita à América do Sul. Diversos países da Europa e outras regiões vêm experimentando jornadas menores, impulsionadas por avanços tecnológicos, automação e mudanças na forma de trabalhar.
  • O debate atual deixou de ser apenas sobre produtividade e passou a incluir qualidade de vida, saúde mental, equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e sustentabilidade das relações profissionais.

A experiência da Colômbia mostra que reduzir a jornada de trabalho não significa necessariamente aumento do desemprego ou colapso econômico. Ao mesmo tempo, evidencia que mudanças desse porte exigem planejamento, adaptação gradual e flexibilidade para empresas e trabalhadores. O caso colombiano, somado ao exemplo chileno, reforça uma tendência global: o futuro do trabalho pode envolver menos horas trabalhadas, mas a forma como essa transição será conduzida é o que determinará seu sucesso ou fracasso.

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