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quinta-feira, 12 de junho de 2025 às 10:03 GMT+0

Governo taxa LCI e LCA: O que isso significa para o agronegócio, imóveis e seus investimentos?

O governo federal publicou em 11 de junho de 2025 uma medida provisória (MP) que propõe mudanças significativas na tributação de investimentos, incluindo a taxação de títulos até então isentos de imposto de renda (IR), como as letras de crédito imobiliário (LCI) e do agronegócio (LCA). A medida, defendida pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, busca corrigir distorções no sistema de crédito e aumentar a arrecadação, mas enfrenta resistência do mercado e do Congresso. Este resumo detalha os pontos centrais da polêmica, os argumentos a favor e contra, e o impacto potencial da mudança.

O que são LCI e LCA?

As LCIs e LCAs são títulos de renda fixa emitidos por instituições financeiras para captar recursos destinados aos setores imobiliário e agrícola. Desde 2004, esses investimentos são isentos de IR para pessoas físicas, tornando-os atraentes por oferecer retorno líquido. São considerados seguros, pois têm garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil.

  • Movimentam R$ 560 bilhões (LCA) e R$ 455 bilhões (LCI), superando o Tesouro Direto (R$ 170,9 bilhões).
  • Atraem investidores conservadores devido à segurança e isenção fiscal.

Por que foram criadas com isenção?

A isenção foi estabelecida em 2004 para:

  • Estimular setores estratégicos: Agronegócio (25% do PIB) e construção civil (13% dos empregos formais).
  • Compensar juros altos: Reduzir o custo de captação para esses setores.
  • Pressão do lobby: Setores com forte representação no Congresso, como o agro, conseguiram benefícios permanentes.

O que muda com a MP?

  • Taxação de 5% de IR: Incide sobre LCI, LCA, CRI, CRA e outros títulos antes isentos.
  • Unificação de alíquotas: Outros investimentos de renda fixa terão IR fixo de 17,5% (ante 15%-22,5% hoje).

Objetivo declarado:

  • Corrigir distorções no mercado de crédito.
  • Aumentar a arrecadação (estimativa: R$ 26,9 bilhões em 2026).

Argumentos a favor do fim da isenção

  • Equilíbrio tributário: Igualar a carga fiscal entre investimentos evita distorções.
  • Eficiência econômica: Parte do benefício fiscal é apropriada por bancos, sem repasse integral ao setor produtivo.
  • Países desenvolvidos: Tributam ativos similares com alíquotas de 15%-20%, sem isenções amplas.

Exemplo:

  • Um CDB a 100% do CDI e uma LCA a 85% do CDI hoje têm retorno líquido similar. Com a taxação, a LCA precisará render mais (ex.: 90% do CDI) para manter a atratividade.

Argumentos contra a taxação

  • Impacto no crédito: Encarece financiamentos para agro e imóveis, podendo elevar preços de alimentos e habitação.
  • Perda de atratividade: Investidores podem migrar para outros ativos, reduzindo recursos para os setores.
  • Resistência política: Congresso tende a rejeitar medidas que afetem setores influentes.

Dados do mercado:

  • Entidades imobiliárias estimam aumento de 0,7 ponto percentual nas taxas de financiamento habitacional.
  • Abag alerta para riscos ao agronegócio, responsável por 26% dos empregos no país.

O investimento ainda valerá a pena?

Sim, mas com ajustes:

  • Bancos deverão elevar a remuneração das LCIs/LCAs para compensar a taxação (ex.: de 85% para 90% do CDI).
  • A isenção parcial (5% vs. 17,5% em outros títulos) mantém vantagem relativa.
  • Risco: Período de adaptação pode gerar volatilidade no mercado.

Um debate complexo

A proposta reflete um conflito entre justiça fiscal (tributar todos os investimentos de forma equilibrada) e incentivos setoriais (manter estímulos a agro e construção civil). Enquanto o governo busca arrecadar e reduzir distorções, setores afetados argumentam que a medida pode frear o crescimento econômico.

  • A aprovação no Congresso é incerta, dada a força dos lobbies.
  • Se implementada, a mudança exigirá ajustes por parte de bancos e investidores.
  • O impacto final dependerá de como os custos serão repassados à economia real.

A polêmica ilustra o desafio de equilibrar políticas públicas, eficiência econômica e interesses setoriais. A decisão final definirá não apenas o futuro desses investimentos, mas também o rumo do crédito em setores vitais para o Brasil.

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