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quarta-feira, 15 de outubro de 2025 às 10:35 GMT+0

"Agora Tem Especialistas": O plano do ministro Padilha para acabar com as filas recordes do SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS), um dos maiores e mais complexos sistemas de saúde pública do mundo, enfrenta seu mais gritante desafio: As longas filas para consultas, exames e cirurgias. Em entrevista à BBC News Brasil, o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, admitiu de forma clara e direta que esta é a principal insatisfação da população e a maior prioridade de sua gestão. Este resumo detalha os pontos centrais da conversa, abordando desde o plano de ação contra as filas até a posição do Brasil no cenário global da saúde, sempre baseando-se nas declarações do ministro e no contexto por ele apresentado.

O combate às filas do SUS: O programa "Agora tem especialistas"

O ministro aposta todas as suas fichas no recém-criado programa "Agora Tem Especialistas" para enfrentar o problema das filas, que atingiu níveis recordes em 2024.

  • Relevância do problema: Pesquisas do próprio Ministério da Saúde indicam que o tempo de espera é a principal queixa dos usuários do sistema. Padilha atribui o agravamento do problema à pandemia de Covid-19, período em que procedimentos eletivos foram cancelados e houve um "represamento" da demanda, situação prolongada pela postura negacionista do governo anterior.

Estratégias do Programa: O "Agora Tem Especialistas" atua em várias frentes:

1. Mobilização da rede pública para um terceiro turno e atendimentos aos finais de semana.
2. Contratação direta de especialistas pelo governo federal para auxiliar estados e municípios.
3. Utilização de unidades móveis (como carretas de exames) para atingir áreas remotas.
4. Parceria com a rede privada, onde hospitais e planos de saúde podem quitar dívidas com a União realizando procedimentos para pacientes do SUS.

  • Transparência de dados: Um avanço crucial do programa é a obrigatoriedade de estados e municípios reportarem seus dados de fila de espera, o que permitirá, pela primeira vez, ter uma visão nacional consolidada e real do problema.

O SUS no mundo: Aprendizados e lições que o Brasil oferece

Durante visita ao Reino Unido, berço do National Health Service (NHS), que inspirou a criação do SUS, Padilha enfatizou a importância da cooperação internacional.

  • O que o Brasil pode aprender: O ministro destacou a expertise britânica em saúde digital, como os hospitais totalmente digitais e a telessaúde, áreas que o Brasil busca ampliar. Outro foco é a parceria para produção e acesso a medicamentos, potencializada pelo novo marco legal da pesquisa clínica no Brasil.
  • O que o Brasil pode ensinar: O SUS é visto com admiração no exterior, especialmente por ser o único sistema universal em um país com mais de 200 milhões de habitantes. Destaques brasileiros incluem:
    1. O Programa de agentes comunitários de saúde, que está sendo replicado no Reino Unido.
    2. O exitoso programa de HIV/Aids, que levou o Brasil à beira da eliminação da transmissão vertical do vírus (da gestante para o bebê), um feito inédito para um país de grande porte.
    3. A expertise no combate a doenças tropicais como dengue, malária e tuberculose.

Crises e respostas: O caso da intoxicação por metanol

Padilha defendeu a atuação rápida do Ministério da Saúde durante a crise de intoxicação por metanol, classificando o evento como um "crime".

  • Ação rápida: O ministro afirmou que o sistema de vigilância do SUS identificou rapidamente o surto anormal (que concentrou, em dois meses, o mesmo número de casos de um ano inteiro). A pasta garantiu o abastecimento do antídoto principal (etanol farmacêutico) e, em uma semana, adquiriu um segundo antídoto (fomepizol) no mercado internacional, mesmo sendo um produto de estoque limitado no mundo.
  • Prevenção futura: Como lição, Padilha propõe uma maior mobilização das forças de segurança estaduais para coibir a adulteração de bebidas, além de campanhas de orientação para comerciantes e a manutenção de um estoque estratégico dos antídotos.

Questões pessoais e geopolíticas: As sanções dos Estados Unidos

O ministro abordou as sanções impostas pelos Estados Unidos, que restringiram seu visto e o de sua família, usando como justificativa sua atuação na criação do Programa Mais Médicos.

  • Indignação e superação: Padilha expressou indignação, especialmente pelo fato de a sanção atingir sua filha de 10 anos. No entanto, adotou uma postura de superação, afirmando que as restrições não impedem a circulação de ideias e a liderança do Brasil.
  • Reorientação estratégica: A resposta do governo foi ampliar parcerias com outras potências, como Reino Unido, China, Índia e União Europeia, para reduzir a dependência de produtos de saúde norte-americanos e fortalecer a produção nacional.
  • Reavaliação do nais médicos: O ministro defendeu o programa, destacando que, atualmente, ele é majoritariamente composto por médicos brasileiros, fruto da expansão de vagas nas faculdades de medicina impulsionada pelo programa original.

O legado da pandemia e os desafios futuros

A entrevista também revisitou os impactos da Covid-19 e os preparativos para o futuro.

  • Impacto do governo Bolsonaro: Padilha foi enfático ao classificar a gestão anterior como "destruidora" e portadora de uma "ideologia da morte". Ele credita a essa postura o prolongamento desnecessário da pandemia no Brasil.
  • Preparação para novas ameaças: O ministro anunciou que o governo está finalizando uma proposta para criar um marco legal e uma estrutura institucional permanente de preparação para pandemias, que seja resiliente a mudanças de governo.
  • Medicamentos de alto custo: Para enfrentar o desafio dos remédios que custam milhões de dólares, a estratégia envolve novos mecanismos de compra (como o compartilhamento de risco, onde o pagamento é feito conforme a eficácia no paciente), parcerias para produção local e a rigorosa adoção de evidências científicas para incorporação ao SUS.

Um momento de reconstrução e luta pela vida

A entrevista do Ministro Alexandre Padilha pinta um quadro de um Ministério da Saúde em um processo de reconstrução após um período de profunda crise sanitária e política. A mensagem central é de reconhecimento dos problemas, em especial das filas, e a apresentação de um plano multifacetado para enfrentá-los. Paralelamente, há um forte esforço de reposicionar o SUS e o Brasil como atores globais na saúde, aprendendo com outros países, mas também exportando seu conhecimento único. A narrativa é de um combate ao negacionismo e uma defesa intransigente da ciência, do sistema público e, acima de tudo, da vida, em oposição ao que classifica como os legados nefastos do governo anterior. O sucesso dessas iniciativas, no entanto, dependerá da execução prática, do financiamento contínuo e da complexa articulação entre União, estados e municípios.

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