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quarta-feira, 9 de abril de 2025 às 11:19 GMT+0

Por que o SUS é exemplo na saúde pública global? O projeto dos agentes de saúde que pode revolucionar o NHS no Reino Unido

O sistema de saúde britânico, o NHS (National Health Service), enfrenta desafios significativos, incluindo longas filas de espera e dificuldade de acesso a médicos. Em busca de soluções, o governo do Reino Unido está analisando o modelo brasileiro de agentes comunitários de saúde, parte da Estratégia Saúde da Família (ESF) do Sistema Único de Saúde (SUS). Uma reportagem do jornal The Telegraph (07/04/2025) destaca como esse projeto, originado nas favelas brasileiras, pode ser adaptado para revitalizar o NHS.

O interesse do Reino Unido no modelo brasileiro

1. Projeto-piloto em Londres: O governo britânico, liderado pelo Partido Trabalhista, iniciou um teste inspirado no SUS no bairro de Pimlico, com planos de expansão para 25 regiões da Inglaterra.

2. Cooperação internacional: Representantes do Reino Unido visitaram o Rio de Janeiro para firmar acordos de cooperação em saúde, com foco na prevenção de doenças e atendimento comunitário.

3. Fonte confiável: O ministro da Saúde britânico, Wes Streeting, destacou a necessidade de reduzir a dependência de hospitais e priorizar a atenção primária, algo que o SUS já faz há décadas.

A estratégia saúde da família e seus agentes comunitários

  • Histórico: Implementada nos anos 1990, a ESF é composta por equipes multidisciplinares (médicos, enfermeiros e agentes comunitários) que atuam diretamente nas comunidades, muitas vezes em áreas vulneráveis.

  • Atuação dos agentes: Eles visitam domicílios, oferecem educação em saúde, identificam riscos e conectam famílias aos serviços médicos, mesmo sem formação superior em saúde.

  • Desafios: O The Telegraph relatou a dedicação desses profissionais, que enfrentam pobreza, violência e sobrecarga de trabalho (alguns atendem centenas de famílias).

Impactos e dúvidas sobre a adaptação no Reino Unido

  • Resultados no Brasil: O jornal britânico reconheceu "melhorias drásticas" em indicadores como mortalidade infantil e acesso a cuidados básicos.

  • Barreiras culturais: As repórteres questionam se o "senso de comunidade" brasileiro, essencial para o sucesso do programa, seria replicável em um contexto urbano e individualista como o britânico.

  • Vozes especializadas: O médico Matthew Harris, pesquisador do Imperial College de Londres e ex-colaborador em Pernambuco, defende que o modelo é "100% inspirado no SUS", mas adaptações serão necessárias.

Um diálogo global em saúde

A possível adoção de elementos do SUS pelo NHS reflete a relevância internacional do sistema brasileiro, mesmo com seus desafios. Enquanto o Reino Unido busca reduzir custos e melhorar a prevenção, o Brasil demonstra que soluções baseadas em comunidade podem transformar vidas. A troca de experiências entre os países destaca a saúde como um direito universal e um campo fértil para inovações — desde que consideradas as diferenças sociais e culturais.

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