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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026 às 10:06 GMT+0

O grande salto: Como o Brasil se tornou o terceiro país mais beneficiado pelo fim do tarifaço de Trump

A recente reviravolta na política comercial dos Estados Unidos colocou o Brasil em uma posição de vantagem inesperada. Após a Suprema Corte norte-americana invalidar as tarifas anteriores impostas por Donald Trump, o novo arranjo tarifário, embora ainda protecionista, resultou em uma redução drástica nos custos de exportação para os produtos brasileiros.

Abaixo, detalhamos os pontos cruciais dessa mudança e o que ela representa para a economia nacional.

O veredito da Suprema Corte e a mudança de rumo

  • Na última sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos EUA decidiu que o presidente Donald Trump excedeu sua autoridade ao utilizar poderes de emergência para taxar parceiros comerciais. A decisão, por 6 votos a 3, forçou a Casa Branca a abandonar o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), que permitia alíquotas personalizadas e extremamente altas.
  • Como resposta imediata, Trump acionou a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. Este mecanismo estabelece uma tarifa linear de 15% sobre importações globais por um período de 150 dias, entrando em vigor nesta terça-feira, 24 de fevereiro.

O Brasil no pódio dos beneficiados

Embora uma tarifa de 15% pareça alta, para o Brasil ela representa um alívio significativo. O país é considerado o terceiro maior "vencedor" global com essa transição, atrás apenas de Mianmar e Laos.

  • Queda acentuada na alíquota: Antes da decisão judicial, os produtos brasileiros enfrentavam uma taxação média de 26,33%. Com a nova regra unificada de 15% (que resulta em uma média estimada de 12,77% para a cesta de produtos brasileiros), o Brasil teve uma redução de 13,56 pontos percentuais.
  • Salto no ranking: O Brasil deixou de ser o 17º país mais taxado pelos EUA para ocupar a 125ª posição.
  • Uniformidade vs. Seletividade: O regime anterior permitia que Trump punisse países individualmente. Agora, ao ser obrigado a tratar quase todos de forma uniforme, o Brasil deixa de carregar o peso de tarifas punitivas que eram desproporcionais em comparação a outros parceiros comerciais.

Motivações políticas e a "ameaça incomum"

  • A melhora na situação brasileira ocorre porque o país estava sob um regime de "exceção" desde julho de 2025. Na época, Trump declarou que as políticas do governo brasileiro constituíam uma "ameaça incomum e extraordinária" à segurança e economia dos EUA.
  • Nos bastidores, essa pressão tarifária foi interpretada como uma retaliação política, citando o tratamento judicial dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro no Brasil. Com a queda da IEEPA, esse argumento jurídico de "emergência nacional" perdeu validade para sustentar as sobretaxas de 40% que incidiam sobre diversos produtos nacionais.

O outro lado: Quem perde com a nova regra?

  • A mudança criou um cenário de "soma zero" no comércio exterior americano. Enquanto países que eram severamente taxados (como Brasil, China e Índia) comemoram a redução, parceiros históricos que gozavam de tarifas baixas agora enfrentam custos maiores.
  • Reino Unido, Itália e Singapura viram suas tarifas aumentarem, pois pagavam menos que os 15% agora estabelecidos pela Seção 122.
  • China e Índia também figuram como beneficiadas pela redução da sobretaxa fixa, embora a China ainda mantenha a maior carga tarifária relativa devido a outros mecanismos remanescentes.

O futuro: 150 dias de incerteza

  • Apesar do otimismo momentâneo, o cenário ainda é volátil. A Seção 122 tem validade curta e exige intervenção do Congresso após cinco meses. No entanto, há brechas jurídicas que podem permitir ao governo renovar o estado de emergência ou buscar novas leis (como a Seção 301) para investigar práticas "desleais" e aplicar novas sanções.
  • Além disso, setores como aço e alumínio permanecem sob o regime da Seção 232 (Segurança Nacional), o que significa que as tarifas específicas para esses produtos brasileiros não foram afetadas pela decisão da Suprema Corte e continuam em vigor.

O Brasil emerge deste embate jurídico americano em uma posição muito mais competitiva do que ocupava há uma semana. A transição de um modelo de "tarifas punitivas personalizadas" para um modelo de "tarifa global uniforme" removeu o peso desproporcional que recaía sobre as exportações brasileiras. O governo brasileiro agora monitora a reação do Congresso dos EUA, ciente de que a atual vantagem é um fôlego bem-vindo, mas que a previsibilidade a longo prazo ainda depende da diplomacia e da estabilidade das leis comerciais norte-americanas.

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