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segunda-feira, 30 de junho de 2025 às 10:41 GMT+0

Análise resumida: Por que Bolsonaro prioriza Câmara e Senado em 2026 em vez da Presidência?

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) definiu sua principal estratégia política para as eleições de 2026: concentrar esforços na conquista de maiorias na Câmara dos Deputados e no Senado. Durante um ato na Avenida Paulista em 29 de junho de 2025, Bolsonaro deixou claro que sua influência não depende necessariamente de ocupar a Presidência da República, mas sim de controlar o Legislativo. Essa abordagem visa evitar pressões para indicar um sucessor presidencial enquanto fortalece sua base de poder.

A estratégia legislativa de Bolsonaro

Bolsonaro afirmou: "Me deem 50% da Câmara e do Senado que eu mudo o destino do Brasil, nem preciso ser presidente". Sua prioridade é assegurar bancadas majoritárias em ambas as casas legislativas, o que lhe permitiria:

  • Influenciar a agenda política e as reformas.
  • Controlar a distribuição de cargos estratégicos, como mesas diretoras e comissões.
  • Fortalecer o PL (Partido Liberal), que já possui a maior bancada da Câmara desde 2022.

Essa tática também serve para adiar a definição de um candidato presidencial em 2026, minimizando divisões internas no campo bolsonarista.

Pressões internas e indefinição sobre o sucessor

Líderes do Centrão e aliados pressionam Bolsonaro para que indique um nome à Presidência, mas ele evitou comprometer-se com qualquer figura específica. Entre as possibilidades discutidas estão:

  • Seus filhos, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
  • A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
  • Um aliado próximo, como o presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

Flávio Bolsonaro declarou que seu pai "não terá vaidade" na escolha, sugerindo que a decisão será pragmática.

Obstáculos jurídicos e retórica de perseguição

Bolsonaro enfrenta desafios legais que podem impactar seus planos:

  • Está inelegível devido a condenações anteriores.
  • Em setembro de 2025, será julgado pelo processo que investiga uma tentativa de golpe de Estado. Aliados temem uma condenação.

Para contornar esse cenário, sua estratégia inclui:

  • Criticar o STF (Supremo Tribunal Federal), classificando o processo como "perseguição política" e "inquisição".
  • Mobilizar apoiadores com discursos contra o Judiciário, como visto no ato de São Paulo, onde foram exibidos áudios de ministros do STF.

Objetivos de longo prazo: O poder legislativo como trunfo

A meta de Bolsonaro é transformar o Congresso em seu principal instrumento de poder, com três objetivos:

  • Enfraquecer o STF: Eleger senadores alinhados para eventualmente propor mudanças no Judiciário.
  • Controlar verbas públicas: Bancadas fortes garantem acesso a fundos eleitorais e partidários.
  • Manter relevância: Mesmo sem ser candidato, ele pode ditar os rumos da direita brasileira.

A aposta de Bolsonaro no Legislativo reflete uma adaptação às suas limitações jurídicas e ao cenário político. Seu discurso combina retórica de combate ao STF com um plano concreto para dominar o Congresso, evitando, por enquanto, polarizar a disputa presidencial. No entanto, os julgamentos em curso e a pressão por um nome presidencial podem forçar ajustes nessa estratégia. Enquanto isso, o foco em 2026 revela um cálculo pragmático: no atual sistema político brasileiro, quem controla o Congresso tem poder para definir os rumos do país—com ou sem o Planalto.

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