Caso Banco Master: O rombo de R$ 47 bilhões - Entenda a Operação Compliance Zero e quem são os alvos da PF
A Polícia Federal intensificou drasticamente as investigações sobre o conglomerado liderado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. O que começou como uma apuração sobre fraudes pontuais evoluiu para a Operação Compliance Zero, revelando uma teia complexa que envolve o sistema financeiro nacional, grandes nomes do empresariado e figuras do cenário religioso e político.
No centro do escândalo está a suspeita de gestão fraudulenta e a venda de carteiras de crédito inexistentes, que podem ter gerado um impacto sistêmico de R$ 47 bilhões no mercado brasileiro, afetando instituições como o Banco Master e o Will Bank. A seguir, entenda quem são os protagonistas deste caso e o papel das altas cortes brasileiras.
Daniel Vorcaro: O estrategista sob monitoramento
Líder do Banco Master, Daniel Vorcaro é apontado pela PF como o mentor de uma organização criminosa que fraudou o Sistema Financeiro Nacional.
- A prisão e a tornozeleira: Preso em novembro de 2025 enquanto tentava embarcar para Dubai, Vorcaro foi solto dez dias depois, mas permanece sob monitoramento eletrônico.
- O caso BRB: A investigação foca na tentativa de venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito falsas ao Banco de Brasília (BRB).
- A "regra do jogo" do FGC: Vorcaro admitiu que sua estratégia de crescimento agressivo baseava-se na proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), oferecendo juros muito acima do mercado para atrair investidores.
Conexões no STF: O papel de Toffoli e Moraes
A Operação Compliance Zero chegou ao Supremo Tribunal Federal devido ao trânsito de Vorcaro em Brasília e à necessidade de decisões sobre investigados com grande poder econômico.
- Dias Toffoli e as medidas coercitivas: O ministro Dias Toffoli tornou-se peça central na condução jurídica do caso. Foi ele quem assinou a decisão para a prisão de Fabiano Zettel e autorizou os mandados de busca e apreensão contra Nelson Tanure. Toffoli também determinou o bloqueio do patrimônio de Tanure, fundamentado em indícios apresentados pela PGR de que haveria uma estrutura societária oculta para ocultar bens.
- Alexandre de Moraes e os contratos do Banco: O nome do ministro Alexandre de Moraes aparece no contexto das relações do Banco Master em Brasília. A investigação aponta que o banco firmou contratos com escritórios de advocacia ligados a familiares de ministros, incluindo o de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado. Embora não haja acusação formal contra o ministro, os investigadores buscam entender se esses contratos visavam angariar influência política e jurídica para facilitar as operações do banco.
Fabiano Zettel: O pastor e o elo familiar
Cunhado de Vorcaro e CEO da Moriah Asset, Zettel traz uma faceta religiosa e política ao caso.
- Detenção no aeroporto: Zettel foi detido em janeiro de 2026 tentando viajar para os Emirados Árabes. É investigado por crimes financeiros interligados aos negócios da família.
- Perfil político e religioso: Conhecido por ser um dos maiores doadores de campanhas de direita em 2022 e pastor da Igreja Batista da Lagoinha, ele sustenta que suas atividades empresariais são lícitas.
João Carlos Mansur: A gestora liquidada e o fator PCC
Fundador da Reag Investimentos, Mansur é uma peça-chave na movimentação de recursos do grupo.
- Liquidação pelo Banco Central: A Reag foi liquidada após suspeitas de que a gestora inflava resultados para beneficiar o Banco Master.
- Operação Quasar: Além do caso Master, Mansur é investigado pelo uso de seus fundos para lavagem de dinheiro da facção criminosa PCC, oriundo do tráfico de drogas.
Nelson Tanure: O "sócio oculto"
Veterano do mercado financeiro, Tanure entrou no radar da PF na segunda fase da operação.
- Influência indireta: A PGR suspeita que Tanure atuava como sócio-oculto de Vorcaro, exercendo poder através de estruturas societárias opacas para influenciar os negócios do Master.
- Defesa: Seus advogados negam qualquer controle ou sociedade no banco, classificando as alegações como infundadas.
Próximos passos
- A Operação Compliance Zero não é apenas uma investigação sobre um banco, mas um teste para a resiliência do sistema financeiro brasileiro e a independência do Judiciário. O envolvimento de nomes do STF e a liquidação de grandes gestoras sinalizam um momento de ruptura e readequação nas regras de conformidade do mercado.
O foco agora se volta para a análise dos dados apreendidos, que podem confirmar se as relações em Brasília serviram de blindagem para o esquema ou se as instituições funcionarão de forma rigorosa na punição dos responsáveis pelo prejuízo bilionário.
