Guerra aberta no STF: A fratura exposta entre Ministros e o futuro da credibilidade do poder judiciário - Moraes e Toffoli contra Fachin
O clima no Supremo Tribunal Federal (STF) deixou de ser apenas de debate jurídico para se tornar uma arena de ataques pessoais e políticos. O que se descreve como uma "fratura exposta" é, na verdade, uma briga pelo controle da imagem da Corte. De um lado, a tentativa de criar regras de comportamento; do outro, ministros que se recusam a ser "enquadrados".
Abaixo, entenda os pontos que transformaram o tribunal em um cenário de guerra aberta.
Os eixos do conflito: Por que o clima pesou?
- A proposta de "limpar a casa": O presidente do STF, Edson Fachin, percebeu que a imagem da Corte está em queda livre. Para tentar recuperar a confiança da população, ele propôs um Código de Conduta inédito, sugerindo que os ministros precisam de mais "autocontenção" ou seja, falar menos e agir com mais discrição.
- A revolta dos "invisíveis": Os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli não gostaram nada da ideia. Eles foram a público dizer que um Código de Ética é desnecessário, alegando que nenhum profissional no Brasil é tão vigiado quanto um juiz do Supremo. Para eles, a proposta de Fachin é uma resposta desnecessária à pressão externa.
O fantasma do Caso Master:
O pano de fundo dessa briga é o chamado "escândalo do Master". O caso levantou dúvidas sobre ministros que recebem por palestras ou possuem grandes negócios privados (como fazendas e empresas). Enquanto a presidência quer regras claras para evitar conflitos de interesse, parte dos ministros defende que suas atividades privadas não interferem nos julgamentos.
- O ataque à imprensa e ao público: Em vez de fazerem uma autocrítica, os ministros descontentes escolheram um alvo: a "ignorância" do público e a "má-fé" da imprensa. Para Moraes e Toffoli, quem critica o Supremo simplesmente não entende como a justiça funciona.
- Uma Corte dividida no altar: O que se viu no plenário foi um presidente sendo alvejado por seus próprios colegas. Fachin tentou pregar a responsabilidade pelas escolhas individuais, mas ouviu de volta que "está tudo bem" e que nada precisa mudar.
O risco de um Tribunal sem crédito
- A grande questão não é apenas quem tem razão, mas o que sobra da autoridade do STF após esse espetáculo de desunião. Quando os próprios ministros não conseguem concordar sobre o que é ético ou adequado para o cargo que ocupam, a instituição inteira enfraquece.
O Supremo parece estar perdendo a capacidade de se autorregular. Se a "fratura exposta" não for tratada com transparência em vez de arrogância, o preço será a perda definitiva da credibilidade perante os brasileiros, um ativo que, uma vez quebrado, dificilmente se cola de novo.
