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sábado, 31 de janeiro de 2026 às 12:25 GMT+0

O efeito dominó: Por que um ataque ao Irã pode forçar o mundo todo a se armar com bombas nucleares?

A geopolítica global encontra-se em um ponto de ruptura neste início de 2026. A postura agressiva do governo dos EUA em relação ao Irã não é apenas uma questão de política externa regional, mas um catalisador potencial para uma corrida armamentista nuclear sem precedentes. Ao analisarmos as movimentações militares no Golfo e as exigências de Washington, fica claro que o custo de um ataque pode ser o colapso definitivo do regime de não proliferação que manteve uma relativa estabilidade atômica nas últimas décadas.

Este resumo explora os riscos de empurrar um "Estado limítrofe" para o abismo e as lições perigosas que outras nações estão aprendendo com o atual impasse.

A resiliência de um Estado limítrofe e o risco do caos

  • Diferente de regimes que colapsaram rapidamente sob pressão externa, a República Islâmica possui um aparato de segurança profundamente enraizado: Com uma população de 93 milhões e instituições como a Guarda Revolucionária, o Irã não é um Estado frágil. Um ataque militar que vise a mudança de regime pode gerar um vácuo de poder perigoso em um país que já detém o conhecimento técnico para produzir armas nucleares.
  • O perigo reside na perda de controle centralizado: Se o Estado desmoronar, para onde irão os cientistas nucleares e o material radioativo? A história mostra, através do colapso da União Soviética e da rede paquistanesa de A.Q. Khan, que o conhecimento nuclear é altamente volátil e viaja com facilidade para grupos extremistas ou outras nações interessadas quando as instituições centrais falham.

A falácia da contenção e o fim da diplomacia

  • O Irã tem operado por anos como um "Estado limítrofe" aquele que possui a tecnologia, mas opta por não montar a arma: No entanto, os ataques de 2025 às suas instalações e as novas ameaças de ataques "rápidos e violentos" em 2026 destroem o incentivo para a moderação.
  • Para a liderança em Teerã, a mensagem enviada pelo Ocidente é paradoxal: Cumprir as regras e manter-se no estágio de desenvolvimento não garante proteção: Pelo contrário, parece convidar ao ataque. Se a sobrevivência do regime for colocada em xeque, a lógica estratégica dita que a única garantia real de soberania seria a posse definitiva da ogiva, e não a negociação dela.

Lições amargas: Da Líbia à Ucrânia

O cenário atual reforça o que ditadores e democracias ao redor do mundo observaram nas últimas três décadas:

  • O caso da Líbia: Gaddafi abandonou seu programa nuclear em 2003 para ser deposto e morto com apoio da OTAN oito anos depois.
  • O caso da Ucrânia: Kiev entregou seu arsenal em 1994 em troca de garantias de segurança que não impediram as invasões russas de 2014 e 2022.
  • O caso do Irã: Mesmo sob inspeções e exercendo contenção técnica, o país sofreu bombardeios em 2025.

Para observadores em países como Coreia do Sul, Japão e Turquia, a conclusão é sombria: Tratados e promessas de proteção são efêmeros, mas a dissuasão nuclear é absoluta.

A erosão da autoridade internacional (AIEA)

  • A arquitetura internacional de monitoramento, liderada pela Agência Internacional de Energia Atômica, é a maior vítima colateral de uma ação militar. O sistema de inspeções funcionava no Irã, provando que era possível rastrear e verificar atividades nucleares. No momento em que a força militar substitui a verificação técnica, a utilidade da AIEA é anulada. Se seguir as regras não oferece segurança, as nações deixam de ter motivos para permitir inspetores em seu solo.

O efeito dominó no Oriente Médio e além

  • Um ataque ao Irã pode desencadear uma reação em cadeia de proliferação regional: A Arábia Saudita já sinalizou que buscará paridade nuclear caso o Irã avance. Se os aliados do Golfo perceberem que a proteção dos EUA é seletiva ou imprevisível, eles buscarão autonomia possivelmente aprofundando laços com potências como o Paquistão.
  • O mesmo vale para a Turquia, que questiona cada vez mais as restrições nucleares da OTAN: O risco não é apenas uma guerra regional, mas a fragmentação da segurança global em esferas de influência armadas com ogivas nucleares, onde a diplomacia perde sua relevância para a força bruta.

A estratégia de pressão máxima contra o Irã em 2026 ignora uma realidade fundamental: a segurança internacional não é um jogo de soma zero. Ao tentar desarmar o Irã pela força, os Estados Unidos podem, inadvertidamente, convencer o restante do mundo de que a única forma de evitar o destino de Teerã é acelerar seus próprios programas nucleares. O resultado de uma intervenção militar agora pode não ser um Irã submisso, mas um mundo muito mais perigoso, onde a arma atômica volta a ser a moeda padrão da sobrevivência nacional.

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