Vacina da dengue do Butantan (dose única): O fim das duas doses? Alta eficácia - Aprovada pelo Anvisa e a chegada ao SUS
O Instituto Butantan alcançou um marco histórico: A primeira vacina brasileira contra a dengue, que se destaca por sua eficácia em dose única. O produto recebeu parecer técnico favorável da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), abrindo caminho para sua possível inclusão no Sistema Único de Saúde (SUS).
Confira os pontos mais importantes sobre a nova vacina, chamada Butantan-DV, e o que ela representa na luta contra a dengue no Brasil.
Eficácia e proteção inovadora (dose única)
A principal vantagem da Butantan-DV é o esquema de dose única, o que facilita a adesão e reduz o custo em programas de vacinação, superando o desafio de completar o esquema vacinal de duas doses da vacina atualmente em uso (Qdenga).
- Proteção abrangente: O imunizante utiliza a tecnologia de vírus vivo atenuado e protege contra todos os quatro sorotipos do vírus da dengue. Isso é crucial, pois infecções anteriores aumentam o risco de desenvolver a forma grave da doença.
Resultados de destaque (Estudos de Fase 3):
- Eficácia geral (sintomática): 74,7% de eficácia contra a dengue sintomática (em pessoas de 12 a 59 anos).
- Proteção contra formas graves: 91,6% de redução em casos de dengue grave.
- Impacto hospitalar: 100% de queda nas hospitalizações por dengue.
- Duração da proteção: O acompanhamento de cinco anos dos primeiros voluntários indica que a alta proteção se manteve ao longo do tempo.
- Reações adversas: Foram consideradas raras e leves durante os testes.
Para quem a vacina é indicada atualmente?
A autorização inicial da Anvisa estabeleceu um público-alvo, mas o Butantan já trabalha para ampliar o grupo que poderá ser vacinado.
- Público-alvo atual: Pessoas na faixa etária de 12 a 59 anos.
Potencial expansão:
- Crianças (a partir de 2 anos): Os ensaios clínicos com crianças tiveram bons resultados, mas a Anvisa solicitou mais documentações antes de autorizar a vacinação neste grupo.
- Idosos (60 a 79 anos): O Butantan fará novos estudos para incluir essa população, que, juntamente com as crianças, é a que proporcionalmente mais sofre e morre com a dengue no Brasil.
Inclusão no SUS: Próximos passos
O parecer favorável da Anvisa é um grande passo, mas a inclusão no Programa Nacional de Imunizações (PNI) do SUS depende de outras etapas.
- Situação atual: O acordo com a Anvisa não garante automaticamente a inclusão no SUS.
- Expectativa do Butantan: O instituto afirma que a vacina “deverá ser incluída” e já está se preparando para a produção em larga escala.
- Capacidade produtiva: O Butantan já possui 1 milhão de doses em estoque e projeta a capacidade de produzir 30 milhões de doses até meados de 2026.
- Acompanhamento contínuo: O acordo prevê o envio constante de dados adicionais à Anvisa para verificar a estabilidade da proteção ao longo dos anos e subsidiar a ampliação do público-alvo.
A vacina Butantan-DV se apresenta como uma ferramenta potencialmente revolucionária. Sua alta eficácia, proteção duradoura e praticidade de dose única a posicionam como um instrumento de saúde pública de alto impacto. Embora sua chegada às unidades de saúde do SUS ainda não tenha data confirmada, o aval técnico da Anvisa é, sem dúvida, a etapa mais significativa já conquistada nessa jornada. A consolidação deste projeto não apenas representará um salto na prevenção de uma doença que matou mais que a Covid-19 em 2024 no Brasil, mas também coroará o Instituto Butantan e a ciência nacional como protagonistas na geração de soluções de saúde para o mundo. O futuro do combate à dengue no país parece mais claro e promissor.
