Relógio do Juízo Final 2026: Por que faltam apenas 85 segundos para o fim? Como IA e crises nucleares aceleraram os ponteiros
O Relógio do Juízo Final não é uma ferramenta de previsão do futuro, mas sim um rigoroso diagnóstico científico sobre a vulnerabilidade do nosso mundo. Em 27 de janeiro de 2026, o Boletim dos Cientistas Atômicos (BAS) anunciou o ajuste mais alarmante de sua história: os ponteiros avançaram para 85 segundos para a meia-noite.
Este avanço de três segundos em relação ao ano anterior não é meramente simbólico. Ele reflete uma convergência sem precedentes de instabilidade nuclear, colapso climático e a ascensão descontrolada de tecnologias disruptivas. Estamos operando no período de maior risco existencial desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
O colapso dos Tratados e a nova corrida nuclear
O principal motor desse ajuste negativo é a erosão da arquitetura de controle de armas. O Tratado de Redução de Armas Estratégicas (New START), o último pilar remanescente que limitava os arsenais nucleares de longo alcance dos Estados Unidos e da Rússia, está com os dias contados, com vencimento previsto para 5 de fevereiro de 2026.
- Paralisia diplomática: A falta de diálogo entre as superpotências impede a renovação de protocolos básicos de segurança.
- Ameaças regionais: O prolongamento dos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio eleva o risco de "erros de cálculo" que podem escalar para o uso de armas táticas.
- Modernização de arsenais: China, Rússia e EUA estão em uma corrida silenciosa para atualizar suas ogivas, tornando-as mais rápidas e difíceis de interceptar.
A ciência sob pressão: Mudanças climáticas e IA
Além do átomo, o Relógio agora integra ameaças que evoluem em velocidades distintas, mas igualmente perigosas.
1. A crise climática em inércia:
- Apesar dos avanços em energias renováveis, 2025 foi marcado por recordes sucessivos de temperatura e pela dificuldade governamental em financiar a transição energética global. A ciência é clara: a janela para manter o aquecimento abaixo de 1,5°C está se fechando, e o Relógio reflete essa falha política em transformar metas em ações.
2. O dilema da inteligência artificial:
A IA entrou definitivamente no radar do Boletim. O risco aqui é duplo:
- Desinformação: A capacidade de manipular a realidade dificulta a tomada de decisões baseadas em fatos durante crises internacionais.
- Uso militar: O desenvolvimento de sistemas de armas autônomos que podem tomar decisões letais sem intervenção humana direta.
- Impacto ambiental: O consumo energético massivo de grandes centros de processamento de dados está dificultando o cumprimento das metas de descarbonização.
O legado de Einstein e a função do símbolo
- A história do Relógio remonta a 1939, quando Albert Einstein e Leo Szilard alertaram o governo americano sobre o potencial destrutivo da fissão nuclear. O Relógio foi criado em 1947, após o trauma de Hiroshima e Nagasaki, para servir como um lembrete visual da responsabilidade dos cientistas perante a sociedade.
- É importante notar que o Relógio não mede apenas o "tamanho" do perigo, mas a eficácia da resposta humana. Em 1991, após o fim da Guerra Fria, o relógio recuou para confortáveis 17 minutos para a meia-noite porque os líderes mundiais agiram. O cenário atual de 85 segundos indica que, cientificamente, nunca estivemos tão desorganizados e reativos diante de ameaças globais.
Um chamado para a atenção, não para o desespero
- Estar a 85 segundos da meia-noite não significa que o fim é inevitável, mas que a margem de erro desapareceu. A ciência nos forneceu o diagnóstico; a política e a mobilização pública devem agora fornecer o tratamento. O recuo dos ponteiros no passado demonstra que tratados diplomáticos, cooperação científica internacional e pressão da sociedade civil têm o poder de atrasar o relógio.
A sobrevivência no século 21 depende da nossa capacidade de tratar riscos globais, sejam eles nucleares, biológicos ou tecnológicos com a urgência que os dados científicos exigem.
