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sábado, 29 de novembro de 2025 às 11:01 GMT+0

Autonomia e flexibilidade: Entenda por que aplicativos superam a atração do emprego CLT

O mercado de trabalho no Brasil enfrenta um momento de profunda transformação e desafios, com segmentos importantes, como a indústria e o comércio, reportando crescentes dificuldades na contratação e retenção de talentos.

O gargalo da qualificação na indústria

A falta de mão de obra qualificada é a principal preocupação do setor industrial, conforme aponta uma sondagem da CNI (Confederação Nacional da Indústria):

  • 62% das empresas industriais relatam dificuldade em preencher vagas com profissionais adequados.
  • A raiz do problema é identificada na educação e qualificação profissional, especialmente no contexto das novas tecnologias e modelos de trabalho.
  • Novo perfil requerido: As empresas buscam profissionais capazes de atuar na resolução de problemas complexos, um perfil que demanda formação técnica e especializada.

Baixa taxa de formação técnica:

O Brasil apresenta um percentual historicamente baixo de jovens que concluem o ensino médio com formação técnica.

  • Cerca de 11% dos jovens brasileiros que terminam o ensino médio fazem cursos profissionalizantes.
  • Esse índice contrasta fortemente com os países da OCDE, onde a taxa varia entre 35% e 65%.

Ações em curso:

Instituições como o Senai estão criando programas setoriais focados em segmentos estratégicos para reverter o cenário, priorizando áreas com maior demanda e remuneração, como:

  • Construção Civil (em parceria com a CBIC).
  • Inteligência Artificial (com a Brasscom).
  • Energia renovável, vestuário e alimentos.

A alta rotatividade e a crise no comércio

Além da qualificação, a alta rotatividade de funcionários é um fator de preocupação que atinge, por exemplo, o setor de comércio em São Paulo:

Aumento na troca de emprego:

Dados do IBGE mostram que, desde a pandemia, os trabalhadores têm trocado mais de emprego.

  • Em 2018, menos de 12% dos brasileiros trocaram de emprego entre um ano e outro.
  • Em 2022, o número chegou a ultrapassar 14%, situando-se em 13,7% atualmente.

Redução do tempo de permanência:

  • No comércio, o tempo médio de permanência no emprego caiu 7% entre 2015 e 2024, chegando a apenas 26 meses.

Impacto no varejo:

  • O tempo que uma empresa varejista leva para trocar todo o seu quadro de funcionários caiu de 2 anos e 3 meses (em 2020) para apenas 1 ano e 7 meses (em 2024).

A atração da nova economia e o comportamento jovem

Especialistas apontam que a mudança no comportamento dos jovens e a migração para plataformas de trabalho autônomo (a chamada nova economia) representam um terceiro motivo para a crise de mão de obra formal:

Baixa atratividade do serviço formal:

O trabalho formal é visto como menos atraente em comparação com a autonomia e flexibilidade oferecidas por:

  • Serviços informais.
  • Trabalho por projeto.
  • Abrir a própria empresa.

Prioridade na autonomia:

  • Profissionais, como motoristas de aplicativo, valorizam a flexibilidade de horários e a autonomia para gerenciar seus próprios rendimentos e tempo de trabalho.

Necessidade de "encantamento":

  • Para competir com as oportunidades da nova economia, as empresas precisam criar um desenho de atração e recrutamento mais "encantador" para os profissionais.

O Brasil enfrenta uma crise tripla de mão de obra: o descompasso entre a qualificação educacional e as demandas tecnológicas da indústria, a alta rotatividade no comércio e a migração de jovens para a autonomia da nova economia. Reverter esse cenário exige um esforço urgente para tornar o emprego formal mais competitivo e atraente, investindo massivamente na formação técnica para os complexos desafios do futuro.

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