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sexta-feira, 15 de agosto de 2025 às 11:01 GMT+0

Brasil, o país do consumo insustentável: A matemática perversa que faz o povo pagar pelo descontrole e ineficácia econômica dos nossos políticos

No final dos anos 1980, o Brasil encerrava o ciclo do Regime Militar e mergulhava na globalização, enquanto testemunhava eventos históricos como a queda do Muro de Berlim. Nesse contexto, surgia uma nova identidade econômica, marcada pela ascensão do consumo como projeto social. O artigo de Victor Missiato, professor e doutor em História, analisa como essa trajetória moldou a fragilidade econômica do país, destacando os desafios atuais, como o "tarifaço" e o "Custo Brasil".

A transição dos anos 1980 e o consumo como projeto nacional

  • Em 1989, tanto Lula quanto Collor, candidatos à Presidência, propunham modelos distintos, mas compartilhavam uma visão: o consumo como base da inclusão social.
  • Collor defendia abertura econômica, enquanto Lula focava na valorização do trabalhador. Porém, ambos reforçavam a ideia de que o acesso a bens era sinônimo de cidadania.
  • Essa mentalidade persistiu nas décadas seguintes, com governos priorizando políticas de juros altos e controle inflacionário para sustentar o poder de compra da população.

A armadilha do consumo e a falta de reformas estruturais

  • Após a crise de 2008, o Brasil enfrentou a contradição entre manter o consumo interno e investir em produtividade. O "boom das commodities" mascara problemas crônicos, como a dependência de exportações de baixo valor agregado.
  • A nova matriz econômica de Dilma Rousseff (2011–2016) tentou romper com essa lógica, mas fracassou, agravando a dívida pública e a estagnação industrial.
  • Sem poupança interna ou investimentos em tecnologia, o país tornou-se vulnerável a crises globais, como a pandemia de Covid-19 e as tensões geopolíticas.

O "Custo Brasil" e a dependência externa

  • O Brasil ficou preso em uma economia de baixa produtividade, enquanto potências como China e EUA disputam o controle de recursos naturais e cadeias produtivas.
  • Tarifas de exportação (como os 50% citados) e a falta de competitividade em setores de alta tecnologia (nanotecnologia, IA) aprofundam a dependência de um modelo primário-exportador.
  • Surge um "imperialismo TikTok": Um domínio econômico discreto, onde potências estrangeiras controlam mercados internos sem necessidade de intervenção militar, via monopólios comerciais e financeiros.

Consequências e desafios atuais

  • A informalidade e a fragilidade do empreendedorismo limitam a capacidade de inovação.
  • O agronegócio e empresas como a Embraer são exceções em um cenário de desindustrialização.
  • O "tarifaço" (aumento de tarifas e impostos) reflete a incapacidade de equilibrar gastos públicos e investimentos, penalizando ainda mais o consumidor.

Um futuro a ser repensado

Esse é um alerta para a urgência de superar a cultura do consumo imediatista e adotar reformas que priorizem produtividade, educação tecnológica e soberania industrial. Enquanto o Brasil não romper com a lógica do "consumo como cidadania", permanecerá refém de crises cíclicas e de um novo colonialismo econômico, onde outros países definem seu destino. A saída exige um projeto nacional que una desenvolvimento sustentável à redução das desigualdades.

A história econômica do Brasil revela um paradoxo: O consumo que promoveu inclusão social também gerou vulnerabilidade. Compreender essa dinâmica é essencial para construir alternativas. Que caminho o país escolherá: Continuar refém do imediatismo ou investir em um projeto de longo prazo? A resposta definirá não apenas a economia, mas o lugar do Brasil no século XXI.

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