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sexta-feira, 2 de maio de 2025 às 10:56 GMT+0

Inflação dos alimentos no Brasil: Por que 97% das famílias estão mudando seus hábitos de consumo?

O aumento dos preços dos alimentos tem sido um desafio significativo para as famílias brasileiras, impactando diretamente o orçamento doméstico e alterando os hábitos de consumo. Diante desse cenário, os consumidores estão adotando estratégias como compras em atacadistas, mercados de bairro e feiras livres para economizar. Uma pesquisa realizada pela Brazil Panels Consultoria, em parceria com a Behavior Insights, revela dados importantes sobre essas mudanças e a percepção da população em relação à inflação.

A percepção generalizada da inflação

Para 97,2% dos entrevistados, os preços dos alimentos subiram de forma acelerada, tornando a inflação uma preocupação constante no dia a dia. Além disso, 95,1% afirmam que o custo de vida aumentou nos últimos 12 meses, enquanto apenas 3% consideram que os valores permaneceram estáveis e 1,9% perceberam redução. Esses números destacam a pressão financeira enfrentada pela maioria da população.

Mudanças no comportamento de consumo

Para lidar com a alta dos preços, os brasileiros estão buscando alternativas:

  • Atacadistas: 41,8% passaram a comprar nesses estabelecimentos, onde os preços costumam ser mais baixos.
  • Mercados de bairro: 17,4% aumentaram as compras nesses locais.
  • Feiras livres: 5,4% dos consumidores estão recorrendo a essas opções.

Essa migração reflete a busca por preços mais acessíveis e a necessidade de ajustar os gastos diante da inflação.

Alimentos mais impactados e cortes no consumo

O setor de alimentação é o que mais sofre com a alta de preços, segundo 94,7% dos entrevistados. Produtos básicos estão sendo cortados do carrinho de compras:

1. Azeite: 50,5% deixaram de comprar.
2. Carne bovina: 46,1% reduziram o consumo.
3. Café (34,6%), ovos (20%), frutas e verduras (12,7%), leite (9%) e arroz (7,1%) também foram afetados.

Claudio Vasques, CEO da Brazil Panels, ressalta que a inflação não apenas reduz o poder de compra, mas também redefine o que é considerado essencial.

Expectativas para os próximos meses

A pesquisa aponta um cenário de incerteza:

  • 65,9% acreditam que o custo de vida continuará subindo nos próximos 12 meses.
  • 23% esperam que os preços aumentem ainda mais.
  • Apenas 8% acham que os valores ficarão estáveis, e 3,1% preveem redução.

Possíveis soluções

  • Para 61,6% dos entrevistados, a redução de impostos sobre produtos básicos poderia ajudar a diminuir os preços. Vasques destaca que a expectativa de inflação prolongada tende a frear o consumo e aumentar a cautela dos consumidores e empresas.

A alta nos preços dos alimentos tem transformado os hábitos de consumo no Brasil, levando as famílias a buscar alternativas mais econômicas, como atacadistas e feiras. A percepção generalizada da inflação e os cortes em itens antes considerados essenciais refletem o impacto profundo da carestia no cotidiano. Enquanto a população espera por medidas que aliviem os custos, como a redução de impostos, o cenário econômico exige adaptações contínuas para garantir o acesso a alimentos básicos. A pesquisa evidencia não apenas um desafio financeiro, mas também uma mudança cultural na forma como os brasileiros encaram o consumo.

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