Ouro digital: Por que 2025 foi o ano em que a IA se tornou a nova moeda global - De chips a sedes de poder econômico
O ano de 2025 chega ao fim consolidado como o marco definitivo da inteligência artificial. O que antes era visto como uma promessa tecnológica tornou-se o motor central da economia global, pautando desde a eficiência de pequenos negócios até as mais complexas estratégias de defesa nacional.
A relevância da tecnologia foi tamanha que a revista Time elegeu os "Arquitetos da IA" como as Personalidades do Ano. A capa histórica reuniu líderes que se tornaram os novos pilares do poder global, como Jensen Huang (Nvidia), Sam Altman (OpenAI), Lisa Su (AMD), Mark Zuckerberg (Meta) e Elon Musk (xAI).
O salto de capital: US$ 400 bilhões em infraestrutura
O volume de dinheiro injetado no setor em 2025 atingiu patamares sem precedentes. Segundo Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, as grandes empresas de tecnologia investiram mais de US$ 400 bilhões em infraestrutura dedicada, um crescimento superior a 60% em comparação ao ano anterior.
- Venture capital: Startups de IA captaram cerca de
US$ 202 bilhões, abocanhando quase metade de todo o financiamento global de risco. - Setor público: Nos Estados Unidos, o governo Trump anunciou que o setor privado deve aportar até
US$ 500 bilhõesem infraestrutura de IA nos próximos anos. - Novas potências: A Arábia Saudita lançou a Humain, uma empresa nacional bilionária focada em transformar o reino em um polo global de processamento de dados e modelos de linguagem, utilizando a riqueza do petróleo para financiar a transição tecnológica.
A nova ordem geopolítica: EUA e China em rota de colisão
A disputa tecnológica entre as duas maiores potências mundiais deixou de ser uma questão de bastidores para moldar o fluxo financeiro global. O governo americano intensificou o controle sobre semicondutores, estabelecendo um sistema de acesso restrito a GPUs avançadas, visando isolar a China.
Em contrapartida, Pequim acelerou sua busca pela autossuficiência:
- Ascensão da deepSeek: O lançamento de modelos chineses de alta performance a custos reduzidos desafiou o domínio da OpenAI.
- A "Nvidia chinesa": A estreia da Moore Threads na bolsa de Xangai foi um dos grandes eventos financeiros do ano, com suas ações quadruplicando de valor no primeiro dia após levantar mais de
US$ 1 bilhão.
O "fantasma do mercado": O dilema da bolha e a obsolescência
Apesar do otimismo, 2025 termina sob a sombra de um possível colapso especulativo. O termo "Bolha de IA" tornou-se o principal temor de Wall Street, superando preocupações tradicionais como a inflação.
- Crédito e risco: Diferente de 2024, quando as empresas usavam caixa excedente, em 2025 muitas passaram a tomar crédito pesado para financiar centros de dados, aumentando o risco sistêmico.
- A metáfora da alface: O economista David McWilliams gerou debate ao classificar os chips de IA como "alface digital". O argumento é que a velocidade da inovação torna o hardware obsoleto tão rápido (em cerca de um ano) que o retorno sobre o investimento pode não chegar a tempo de cobrir a depreciação do equipamento.
Entre a produtividade real e a incerteza financeira
- 2025 encerra seu ciclo com uma dualidade clara. Por um lado, a inteligência artificial entregou ganhos reais de produtividade e avanços científicos inegáveis. Por outro, a concentração de mercado com as "Sete Magníficas" representando 35% do S&P 500 e a corrida armamentista de gastos deixam uma pergunta em aberto para 2026: o mercado conseguirá transformar esse processamento massivo em lucro sustentável antes que a próxima geração de chips chegue?
O mundo agora observa se os "arquitetos" celebrados pela Time conseguirão sustentar a fundação de uma nova era econômica ou se o setor enfrentará uma correção severa após o frenesi bilionário deste ano.
