Milão-Cortina 2026: Ilia Malinin vs. Gravidade - "Deus dos quádruplos" - Descubra o fenômeno da patinação
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A patinação artística masculina vive um momento histórico e ele tem nome e sobrenome: Ilia Malinin. Aos 21 anos, o americano chega aos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 como o grande favorito ao ouro individual. Dono de uma técnica revolucionária e de uma coragem rara no gelo, Malinin não apenas vence competições, ele redefine os limites do esporte.
A performance que colocou o mundo em alerta
Durante a competição por equipes, Malinin levou os Estados Unidos ao ouro por uma margem mínima sobre o Japão. Mesmo cometendo pequenos erros, foi o único atleta a ultrapassar a marca dos 200 pontos.
No programa individual masculino, confirmou o favoritismo ao se classificar em primeiro lugar nas eliminatórias. Sua apresentação incluiu elementos de altíssima dificuldade, como:
- Salto quádruplo flip
- Salto quádruplo lutz
- Um salto mortal para trás executado de forma histórica
A final individual promete ser o ponto alto da patinação artística em Milão-Cortina.
O primeiro mortal olímpico em 50 anos
- Um dos momentos mais emblemáticos foi a execução do salto mortal para trás, movimento que não era realizado legalmente nos Jogos Olímpicos desde 1976.
- O salto foi proibido por décadas por razões de segurança, mas voltou a ser permitido após mudanças nas regras. Malinin tornou-se o primeiro patinador a executá-lo nos Jogos modernos, e ainda com uma aterrissagem em um único pé.
Esse feito não é apenas técnico: é simbólico: Ele conecta gerações da patinação artística e mostra como o esporte evoluiu em complexidade e preparação física.
O domínio técnico que intimida adversários
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Malinin não perde uma competição há quase dois anos e meio. Seu grande diferencial está na patinação livre, onde sua pontuação técnica supera a dos concorrentes com folga.
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Mesmo quando não lidera no programa curto como já aconteceu contra o japonês Yuma Kagiyama, ele costuma abrir vantagem decisiva na etapa seguinte. Isso acontece porque:
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Seu nível técnico base é mais alto que o dos adversários
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Ele acumula bônus por dificuldade e execução
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Seus componentes artísticos também evoluíram significativamente
Especialistas apontam que o talento sempre esteve presente, mas agora ele combina potência com maturidade competitiva.
O fenômeno físico por trás dos números
O que torna Malinin tão especial não é apenas o talento, mas a física quase inacreditável por trás de seus saltos.
O Axel quádruplo, o mais difícil da patinação, exige quatro voltas e meia no ar. Para realizá-lo corretamente, ele:
- Atinge cerca de 90 cm de altura
- Gira a aproximadamente 350 rotações por minuto
- Se desloca a quase 7 metros por segundo
- Absorve o impacto aterrissando sobre uma lâmina metálica no gelo
Comparações técnicas mostram que sua impulsão vertical se aproxima da de atletas profissionais da NBA. A rotação, por sua vez, equivale à velocidade de um liquidificador doméstico. E tudo isso mantendo equilíbrio, precisão e controle artístico.
Uma herança olímpica
- Malinin nasceu na Virgínia, nos Estados Unidos, filho de imigrantes do Uzbequistão. Seus pais foram patinadores olímpicos, e seu avô também atuou como treinador de elite.
- Crescer em um ambiente de alto rendimento moldou não apenas sua técnica, mas também sua mentalidade competitiva. Desde cedo, ele foi preparado para lidar com pressão, grandes palcos e expectativas elevadas.
Estratégia e maturidade olímpica
- Apesar do favoritismo, Malinin demonstra controle emocional e estratégia. Ele próprio afirmou que não pretende “patinar a todo vapor” antes da hora. Seu foco é administrar energia e cadenciar performances até a disputa individual.
- Essa postura revela um atleta que não depende apenas da explosão física, mas entende o peso psicológico de uma Olimpíada.
Vídeo: Ilia Malinin - 2026 Olympic Short Program - Men’s Single Figure Skating - February 10
Ilia Malinin não é apenas um favorito ao ouro, ele representa uma nova era da patinação artística. Técnica extrema, preparação científica, herança familiar e ousadia se combinam em um atleta que desafia a gravidade e as expectativas. Se confirmar o título individual, Milão-Cortina 2026 poderá ser lembrada como “os Jogos de Malinin”. E, para quem estiver assistindo, será um daqueles momentos históricos que se resumem em uma frase simples:
Eu estava lá quando o “Deus dos Quádruplos” fez história.
