Crise no Xbox: Por que desenvolvedores estão abandonando a plataforma em 2026? Preferência por PC e portáteis dispara
A indústria dos games encerra janeiro de 2026 com movimentações intensas que redesenham o mapa de influência entre as gigantes do setor. Enquanto a Microsoft enfrenta um período de reavaliação estratégica e queda expressiva em seu hardware, a Nintendo consolida seu calendário e o cinema estreita laços com sucessos recentes dos consoles.
Confira abaixo os principais destaques que moldaram o cenário nesta sexta-feira, 30 de janeiro.
O alerta vermelho no ecossistema Xbox
- Os resultados da mais recente pesquisa anual State of the Game Industry, organizada pela GDC, revelam uma mudança drástica na percepção dos desenvolvedores. Atualmente, apenas 20% dos profissionais da indústria manifestam interesse em criar jogos para o Xbox Series X/S. Para efeito de comparação, esse número é exatamente a metade do interesse registrado pelo PlayStation 5 (40%) e pelo Nintendo Switch 2 (39%).
- O PC continua sendo a plataforma absoluta, com 80% de preferência. O dado mais alarmante para a Microsoft é a comparação com o passado recente: embora 40% dos desenvolvedores tenham lançado seus últimos projetos no Xbox, a intenção de continuar na plataforma despencou. Hoje, o console está numericamente mais próximo do mercado de dispositivos móveis, como Android e iOS, do que de seus concorrentes diretos.
Resultados financeiros e o peso do hardware
- O relatório fiscal da Microsoft para o segundo trimestre do ano fiscal de 2026 corrobora o desânimo dos desenvolvedores. A divisão de jogos registrou uma queda de 9% na receita total. O ponto mais crítico foi o hardware: a venda de consoles Xbox despencou 32% em comparação ao ano anterior.
- Mesmo com o aumento nos preços do Game Pass, a receita de conteúdo e serviços recuou 5%. A CFO da empresa, Amy Hood, atribuiu o desempenho abaixo do esperado à performance dos títulos exclusivos e ao rendimento de grandes franquias, como Call of Duty: Black Ops 7, que não atingiu os picos históricos de engajamento. Esse cenário reforça a guinada multiplataforma da Microsoft, que já prepara lançamentos como Fable e Forza Horizon 6 para o PlayStation 5.
Nintendo define data para Tomodachi Life
- Em contraste com as incertezas da concorrência, a Nintendo utilizou um Direct especial para confirmar que Tomodachi Life: Living the Dream será lançado em 16 de abril de 2026. O título, que marca o retorno da franquia após mais de uma década, será compatível com toda a família Switch, incluindo o novo modelo.
- A apresentação detalhou mecânicas aprimoradas de criação de Miis, agora com opções de identidade não-binária e relacionamentos entre personagens do mesmo sexo, atendendo a pedidos antigos da comunidade. O jogo promete manter o humor caótico característico, incluindo telejornais bizarros e simulações sociais complexas que se tornaram a marca registrada da série.
Split Fiction: Do sucesso dos games para as telas
- A adaptação cinematográfica de Split Fiction deu um passo concreto nesta semana. O diretor do jogo, Josef Fares, confirmou que já está com a primeira versão do roteiro em mãos. O projeto, anunciado logo após o sucesso estrondoso do game em 2025, conta com um time de peso nos bastidores.
- A produção terá Sydney Sweeney no elenco principal) e conta com a escrita de Rhett Reese e Paul Wernick, a dupla responsável por Deadpool & Wolverine. A direção ficará a cargo de Jon M. Chu. Fares, conhecido por sua personalidade franca, mencionou estar otimista após encontrar-se com Sweeney, mas manteve sua postura cautelosa sobre os prazos de Hollywood, afirmando que a prioridade é manter a essência narrativa que fez do jogo um sucesso de vendas.
O início de 2026 marca um momento de transição profunda. O Xbox parece estar migrando de um modelo focado em hardware para uma posição de publicadora multiplataforma e provedora de serviços em nuvem, enquanto a Nintendo e a Sony colhem os frutos de manterem seus ecossistemas mais fechados e atraentes para os criadores. O sucesso das adaptações cinematográficas, como a de Split Fiction, mostra que, embora o hardware possa oscilar, a força das propriedades intelectuais nunca foi tão valiosa.
