"Não conhecemos eleição sem Lula": Eduardo Leite para 2026 - Por que o governador gaúcho prega a renovação política?
O cenário político brasileiro para 2026 começa a se desenhar com debates profundos sobre a alternância de poder e o papel das lideranças históricas. Eduardo Leite (PSD), atual governador do Rio Grande do Sul e o primeiro a ser reeleito no estado em quase um século, posiciona-se como uma voz crítica à longevidade de Luiz Inácio Lula da Silva no protagonismo eleitoral. Em entrevista recente, Leite analisa os riscos do que chama de "política do messianismo" e projeta seu próprio futuro político em um tabuleiro ainda incerto.
O futuro de Eduardo Leite: Presidência ou Senado?
Eduardo Leite não esconde sua aspiração de disputar a Presidência da República em 2026. No entanto, sua trajetória depende de articulações internas complexas.
- A chancela do partido: O governador aguarda o aval de Gilberto Kassab, presidente do PSD, para consolidar sua candidatura nacional.
- O plano B no Rio Grande do Sul: Caso a candidatura presidencial não se concretize, o caminho natural seria a disputa por uma das duas vagas ao Senado pelo RS.
- Um cenário polarizado: A disputa gaúcha ao Senado promete ser um dos campos de batalha mais intensos do país, servindo de palco para o confronto direto entre aliados de Lula e de Jair Bolsonaro.
A crítica ao messianismo e à centralização do poder
Para Leite, a onipresença de Lula nas urnas desde a redemocratização é um sintoma de um sistema político que tem dificuldade em se renovar.
- A falta de sucessão: O governador critica a ausência de reciclagem de lideranças dentro do campo da esquerda, argumentando que um líder deve saber o momento de formar sucessores e abrir espaço para novos protagonistas.
- O mito do "salvador da pátria": Leite utiliza uma metáfora forte ao afirmar que o discurso petista muitas vezes coloca Lula em um patamar de infalibilidade quase religiosa, o que ele classifica como prejudicial ao debate democrático racional.
- O histórico eleitoral: Com exceção do período em que esteve impedido em 2018 e dos mandatos de Dilma Rousseff, Lula foi o rosto principal da esquerda em quase todas as eleições presidenciais desde 1989.
Impactos para a saúde da democracia
A principal tese defendida pelo governador é que a captura de um campo político por uma única figura limita as opções do eleitor e enfraquece as instituições.
- Alternância necessária: A alternância de nomes e ideias é vista por Leite como um pilar fundamental da democracia. Sem ela, o sistema corre o risco de estagnação.
- Dependência de lideranças únicas: A análise sugere que a política brasileira precisa superar a fase em que os projetos de país dependem exclusivamente do carisma ou da biografia de poucos indivíduos, permitindo que as instituições e partidos amadureçam independentemente de seus fundadores.
As declarações de Eduardo Leite refletem o desejo de uma terceira via que busca se descolar da polarização tradicional. Ao classificar a presença constante de Lula como algo "ruim para a democracia", o governador gaúcho tenta pavimentar um discurso focado na modernização da gestão e na renovação gerencial da política brasileira. Resta saber se o sistema partidário e o eleitorado estão prontos para romper com as figuras que dominaram as últimas décadas da história nacional.
