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segunda-feira, 21 de julho de 2025 às 10:28 GMT+0

"‘Vai piorar antes de melhorar’: Alerta sobre escalada da crise entre Brasil e EUA – Sanções, Bolsonaro e o risco de novas retaliações

A relação entre Brasil e Estados Unidos vive um dos momentos mais tensos das últimas décadas, com medidas duras de ambos os lados e poucas perspectivas de resolução no curto prazo. O brasilianista Brian Winter, editor-chefe da revista Americas Quarterly e especialista em relações internacionais, analisa o cenário em entrevista à BBC News Brasil, destacando que a crise "vai piorar antes de melhorar".

O que desencadeou a crise?

  • Medidas americanas: Os EUA impuseram tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e revogaram vistos de ministros do STF e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.-
  • Motivação: O governo americano alega que as ações são uma resposta ao tratamento dado pelo Judiciário brasileiro ao ex-presidente Jair Bolsonaro, réu em um processo por tentativa de golpe de Estado.
  • Contexto político: Donald Trump comparou a situação de Bolsonaro à sua própria, já que ambos enfrentam processos judiciais (Trump por suposta interferência nas eleições de 2020 e pelo ataque ao Capitólio em 2021).

Por que a crise deve se agravar?

  • Fator Bolsonaro: Winter acredita que, se Bolsonaro for preso, Trump pode adotar medidas ainda mais duras, como sanções econômicas ou restrições a vistos para brasileiros.
  • Falta de diálogo: Há pouca comunicação direta entre os governos Lula e Trump, o que dificulta a desescalada.

Interesses políticos: Ambos os lados parecem enxergar vantagens no conflito:

  • Trump vê o Brasil como um "alvo de baixo custo" e usa a narrativa de perseguição política para mobilizar sua base.
  • Lula pode capitalizar o embate como uma defesa da soberania nacional, unindo até adversários internos em torno do tema.

O papel do STF e a acusação de autoritarismo

  • Críticas de Trump: O presidente americano e aliados acusam o Brasil de ser um "regime autoritário", citando decisões do STF, como as restrições a Bolsonaro nas redes sociais.

Resposta de Winter: O analista rejeita o termo "autoritário" mas reconhece preocupações:

"O Brasil é uma democracia, mas com restrições à liberdade de expressão que causam desconforto, especialmente para americanos."

  • Ele menciona que decisões do ministro Alexandre de Moraes são controversas até mesmo entre críticos moderados.

Falta de canais de diálogo e possíveis saídas

  • Exemplo do México: Winter cita a presidente Claudia Sheinbaum, que evitou confronto direto com Trump e negociou com pragmatismo.

Dificuldades para o Brasil:

  • Lula não pode interferir no Judiciário, o que limita sua capacidade de negociar.
  • A postura do governo brasileiro, especialmente durante a Cúpula dos Brics, foi vista como "provocativa" por Trump.
  • Cenário atual: Não há sinais de recuo de nenhum dos lados, e a crise pode se prolongar até as eleições de 2026.

Impactos geopolíticos e relação com a China

  • Aproximação com Pequim: A crise pode acelerar o alinhamento do Brasil com a China, que já é um parceiro estratégico.
  • Riscos: Winter alerta que um conflito prolongado com os EUA pode ter "consequências não intencionais", como impactos econômicos ou isolamento diplomático.

Um conflito com raízes profundas e poucas soluções imediatas

A crise entre Brasil e EUA é resultado de uma combinação de fatores:

  • Personalização da política: Trump enxerga o caso Bolsonaro como um espelho de suas próprias batalhas judiciais.
  • Falta de diálogo estratégico: A comunicação entre os governos é insuficiente para evitar a escalada.
  • Interesses domésticos: Ambos os lados veem vantagens políticas em manter o conflito, mesmo que isso prejudique as relações bilaterais.

Perspectivas:

  • No curto prazo, a tendência é de mais sanções e retórica acirrada.
  • A médio prazo, a solução dependerá de fatores como o desfecho do processo contra Bolsonaro e o resultado das eleições nos EUA em 2024.
  • O Brasil precisa equilibrar sua relação com EUA e China, mas sem abrir mão de sua soberania.

Como disse Winter, "o foco agora deve ser conter os danos". Enquanto não houver disposição para o diálogo, a crise seguirá como um teste às instituições e à diplomacia de ambos os países.

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