Xeque-Mate de Trump? Como o novo "Conselho de Paz" coloca Lula em risco - As consequências para Lula ao aceitar ou rejeitar Trump
Este cenário representa um dos maiores desafios diplomáticos para a administração brasileira no início de 2026. A proposta do presidente Donald Trump de criar um "Conselho de Paz" mundial não é apenas uma iniciativa de política externa, mas um teste de soberania e pragmatismo para o Brasil.
Abaixo, apresento uma análise revisada e organizada sobre os riscos e as implicações dessa "armadilha" diplomática.
O dilema de Lula: Entre a submissão e a retaliação
A proposta de Donald Trump coloca o Brasil em uma encruzilhada estratégica. Ao convidar o presidente Lula para integrar um conselho de paz moldado sob a ótica de "America First", o governo americano estabelece um jogo de soma zero onde as opções de neutralidade são limitadas.
A estrutura do Conselho: Poder absoluto e veto unilateral
Diferente de organismos multilaterais tradicionais, o Conselho de Paz idealizado por Trump não prevê a rotatividade de poder ou a democracia nas decisões. As regras são claras e centralizadas:
- Seleção de membros: Os integrantes são escolhidos pessoalmente pelo presidente americano, o que retira o caráter institucional e o transforma em um grupo de afinidade política.
- Definição de pauta: O controle sobre o que é discutido impede que temas sensíveis ao Sul Global, como segurança alimentar e desigualdade climática, entrem na agenda, a menos que interessem a Washington.
- O veto final: O poder de veto exclusivo de Trump torna qualquer deliberação coletiva meramente consultiva. Na prática, o conselho serve para validar as decisões já tomadas pela Casa Branca.
O fim do multilateralismo e a crise na ONU
- A criação deste novo órgão sinaliza o desejo de enterrar definitivamente o Conselho de Segurança da ONU. Para o Brasil, que historicamente pleiteia uma reforma no Conselho de Segurança e uma vaga permanente, essa mudança é catastrófica.
- Se o "Conselho de Paz" de Trump se tornar o novo centro de gravidade das decisões globais, as regras do Direito Internacional construídas desde o pós-guerra dão lugar à diplomacia transacional. O Brasil corre o risco de ver seus esforços diplomáticos de décadas serem ignorados em favor de uma estrutura que prioriza a força política sobre os tratados internacionais.
A armadilha política: O custo de dizer "Não"
A recusa ao convite não é uma opção isenta de custos. Donald Trump é conhecido por utilizar ferramentas de pressão econômica e diplomática contra governos que não se alinham aos seus projetos:
- Retaliações comerciais: O uso de tarifas e barreiras contra produtos brasileiros.
- Isolamento diplomático: A exclusão do Brasil de acordos bilaterais importantes.
- Pressão interna: O fortalecimento da oposição doméstica a Lula, utilizando a recusa como prova de um suposto "alinhamento ideológico com opositores dos EUA".
Por outro lado, aceitar o convite significa, na prática, aceitar o papel de coadjuvante em uma agenda que pode colidir frontalmente com os interesses brasileiros em regiões como o Oriente Médio e a América Latina.
A busca pela terceira via
O governo brasileiro enfrenta agora a tarefa de formular uma resposta que não seja um "sim" submisso nem um "não" confrontador. A estratégia de consultar outros países e buscar uma posição conjunta, possivelmente via G20 ou BRICS, parece ser o caminho para diluir a pressão individual sobre o Brasil. No entanto, o tempo é curto, e a capacidade de Trump de ditar o ritmo da política global exigirá de Lula uma agilidade diplomática sem precedentes para evitar que o país se torne apenas um peão no tabuleiro americano.
