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segunda-feira, 22 de dezembro de 2025 às 10:13 GMT+0

A verdade sobre o fim do tratamento com as canetas emagrecedoras(Ozempic, Wegovy e Mounjaro): O peso volta sempre?

O uso de medicamentos da classe dos GLP-1 (como Ozempic, Wegovy e Mounjaro) revolucionou o tratamento da obesidade, agindo diretamente no cérebro para "desligar" o pensamento constante em comida. No entanto, o fim das injeções traz um desafio crítico: como manter os resultados sem o suporte químico?

As histórias de Ellen e Tanya exemplificam os dois lados dessa transição.

O funcionamento e o alto custo

  • As canetas injetáveis imitam hormônios naturais que regulam a saciedade e o apetite. Enquanto o Wegovy (semaglutida) foca no GLP-1, o Mounjaro (tirzepatida) atua também no hormônio GIP, sendo ainda mais potente. No Brasil, o custo mensal para iniciar o tratamento com Mounjaro gira em torno de R$ 1.400, o que torna a manutenção financeira do tratamento um obstáculo para muitos a longo prazo.

O desafio de Tanya: O efeito "interruptor"

Para Tanya Hall, que perdeu 38 kg, a medicação foi uma ferramenta de validação social e profissional. Contudo, sua experiência revela o lado obscuro da dependência biológica do remédio:

  • Efeitos colaterais de impacto: Durante o uso, Tanya enfrentou enjoos constantes, dores de cabeça e queda de cabelo severa.
  • O retorno do ruído alimentar: Ao tentar interromper as doses, ela descreve a sensação de um "interruptor de fome" sendo ligado instantaneamente.
  • A barreira psicológica: O medo de recuperar o peso gerou um ciclo de dependência. Hoje, ela questiona se tem o controle da situação ou se o medicamento é quem a controla.

A estratégia de Ellen: A preparação para a saída

Ellen Ogley utilizou o Mounjaro como uma "última chance" para evitar riscos cirúrgicos. Sua jornada de sucesso após a interrupção baseou-se em pontos fundamentais:

  • Redesenho da relação com a comida: Ela aproveitou a ausência da compulsão (o "food noise") para estudar nutrição e entender seus gatilhos emocionais.
  • Desmame gradual: Em vez de parar bruscamente, Ellen reduziu as doses ao longo de seis semanas, permitindo que o corpo se adaptasse.
  • Troca de mecanismos de recompensa: Ao sentir-se triste ou ansiosa, substituiu o ato de comer por exercícios físicos, como a corrida.

O "efeito tsunami": Riscos da interrupção abrupta

O Dr. Hussain Al-Zubaidi, especialista em estilo de vida, alerta que interromper o tratamento na dose máxima sem acompanhamento é como "pular de um penhasco". As estatísticas mostram um cenário desafiador:

  • Recuperação de peso: Estima-se que as pessoas recuperem entre 60% e 80% do peso perdido em até três anos após pararem o remédio.
  • Fome rebote: Sem o hormônio sintético, a vontade de comer pode retornar como uma "avalanche" já no dia seguinte.
  • Necessidade de suporte: Órgãos de saúde internacionais recomendam que o paciente tenha pelo menos um ano de aconselhamento e mudanças práticas no estilo de vida após o fim do uso das canetas.

Importância da estratégia de saída

A obesidade é uma condição complexa e, como define o Dr. Al-Zubaidi, "não é uma deficiência de GLP-1". O sucesso a longo prazo depende de uma combinação de fatores: momento certo para parar, suporte médico contínuo e uma mudança profunda no ambiente e na mentalidade do paciente. Enquanto Tanya permanece no tratamento por precaução, Ellen prova que é possível manter a saúde de forma sustentável após o uso da medicação.

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