Como a atividade sexual se torna um poderoso aliado no combate à depressão - Existe uma frequência ideal?
Um novo e relevante estudo, conduzido por pesquisadores das universidades de Shenzhen e Shantou (China) e publicado no prestigiado Journal of Affective Disorders, investigou a profunda conexão entre a frequência da atividade sexual e o bem-estar psicológico.
Principais descobertas e mecanismos de proteção
A análise de dados de 15.794 adultos estadunidenses (20 a 59 anos) revelou uma clara associação entre a frequência sexual e a saúde mental:
- Frequência e maior benefício: Os participantes que mantinham relações sexuais entre uma e duas vezes por semana apresentaram os maiores efeitos protetores e um risco notavelmente reduzido de desenvolver depressão.
Ação dos neurotransmissores:
A atividade sexual não é apenas prazerosa, mas é um evento biológico poderoso. Ela desencadeia a liberação de substâncias químicas cruciais para a regulação do humor, como:
- Ocitocina: Conhecida como o "hormônio do amor", está ligada ao vínculo, afeto e confiança.
- Dopamina: Associada ao prazer, motivação e sistema de recompensa.
- Serotonina: Essencial para a sensação de bem-estar, felicidade e estabilidade emocional.
- Endocanabinoides: Contribuem para a sensação de relaxamento e alívio de dor.
Fatores psicossociais envolvidos:
- Além da química cerebral, o sexo engloba toque, intimidade e conexão. Esses aspectos são pilares para a construção de vínculos afetivos sólidos, a sensação de pertencimento e o aumento da autoestima, que são fundamentais para uma mente equilibrada.
Relevância para a saúde e a medicina
Os resultados deste estudo têm implicações importantes que transcendem o consultório de sexualidade:
- Sexualidade como indicador de bem-estar: O estudo oferece base científica para que a saúde sexual seja vista como um "termômetro" do bem-estar geral e comece a ser incluída de forma mais rotineira nas avaliações médicas e psicológicas.
- Reforço do conceito biopsicossocial: A pesquisa reafirma a compreensão de que a saúde é um conceito integrado, onde os fatores biológicos (neurotransmissores), psicológicos (humor) e sociais (vínculos) estão intrinsecamente ligados e se influenciam mutuamente.
Qualidade acima da quantidade: A frequência ideal é individual
Os especialistas alertam que a referência estatística de uma a duas vezes por semana observada no estudo não deve ser vista como uma regra ou uma meta obrigatória.
A chave para uma vida sexual saudável está na qualidade, na satisfação e no contexto individual, sem cobranças. É essencial considerar:
- Satisfação e contexto: A qualidade do relacionamento e o grau de satisfação pessoal são fatores tão, ou mais, importantes do que a simples contagem semanal de atos sexuais.
- Respeito à individualidade: A frequência ideal é aquela que respeita os valores, os desejos e o consentimento de cada pessoa ou casal. Não há um "número mágico".
- Orientação sobre assexualidade: A ausência de interesse sexual (assexualidade) não é, por si só, um problema de saúde ou um indicativo de patologia.
- Impacto de medicações: É crucial discutir com o médico o impacto de certos medicamentos (como alguns antidepressivos) na libido, buscando ajustes de tratamento para preservar a qualidade de vida sexual.
A atividade sexual, quando vivenciada de forma prazerosa, consensual e satisfatória, é uma valiosa ferramenta de promoção da saúde mental. Os maiores benefícios vêm da qualidade da experiência e do significado que ela tem para o indivíduo, reforçando a importância do autoconhecimento e da ausência de autocobrança.
