Dieta do ovo funciona e é segura? Entenda por que o peso cai rápido e o risco do efeito sanfona - O que você precisa saber antes de começar
A busca por resultados imediatos na balança frequentemente resgata métodos alimentares extremos, e a dieta do ovo é um dos exemplos mais persistentes nas redes sociais. Embora o ovo seja um alimento nutricionalmente rico, sua utilização como base quase exclusiva de uma rotina alimentar levanta sérios alertas entre especialistas. A promessa de perda de peso em poucos dias esconde mecanismos fisiológicos que podem comprometer a saúde intestinal, o equilíbrio metabólico e a sustentabilidade do emagrecimento.
O mecanismo da perda de peso acelerada
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A redução drástica nos números da balança durante os primeiros dias da dieta do ovo não ocorre devido a uma propriedade "mágica" do alimento, mas sim por uma resposta biológica ao déficit calórico severo e à privação de carboidratos.
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Quando o corpo deixa de receber carboidratos, ele consome os estoques de glicogênio (energia armazenada nos músculos). Como o glicogênio é retido junto com a água, sua queima resulta em uma eliminação massiva de líquidos. Portanto, o emagrecimento inicial é, em grande parte, composto por água e não necessariamente por gordura corporal. Especialistas reforçam que essa é uma resposta metabólica aguda e transitória, sem garantias de manutenção a longo prazo.
O valor nutricional do Ovo vs. Erro da monodieta
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É importante separar o alimento da estratégia: O ovo é uma excelente fonte de proteínas de alto valor biológico, vitaminas (como as do complexo B), minerais e antioxidantes como luteína e zeaxantina. Além disso, a colina presente na gema é essencial para a saúde cerebral e o metabolismo lipídico.
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O problema reside na monodieta: Ao transformar o ovo na fonte principal de nutrição, o indivíduo exclui grupos alimentares fundamentais. O que emagrece é o déficit de calorias; porém, quando esse déficit é alcançado através da restrição extrema, o ovo perde seu papel funcional e a dieta se torna um fator de estresse para o organismo.
Impactos no sistema digestivo e microbiota
Um dos maiores riscos dessa prática é o prejuízo à saúde intestinal. A dieta do ovo é tipicamente pobre em fibras, já que restringe severamente o consumo de frutas, grãos integrais e uma variedade maior de vegetais.
- Constipação: A falta de fibras reduz os movimentos peristálticos, causando prisão de ventre.
- Microbiota: A ausência de carboidratos complexos e fibras prebióticas prejudica a diversidade das bactérias benéficas no intestino, o que pode afetar diretamente o sistema imunológico e aumentar processos inflamatórios no corpo.
O estado de cetose e sintomas metabólicos
Ao cortar carboidratos, o corpo entra em cetose nutricional, passando a utilizar a gordura como fonte primária de energia. Embora esse processo seja utilizado em protocolos clínicos específicos, quando feito sem orientação, pode desencadear efeitos colaterais desconfortáveis, tais como:
- Cefaleia (dor de cabeça) e tonturas.
- Fadiga extrema e fraqueza muscular.
- Hálito cetônico (odor metálico ou adocicado na respiração).
Perigos a longo prazo e o efeito sanfona
- A médio e longo prazo, a restrição pode levar a deficiências severas de micronutrientes, como cálcio e vitamina K, aumentando o risco de problemas ósseos. Além disso, o corpo tende a reduzir a taxa metabólica basal para poupar energia diante da privação, o que facilita o efeito sanfona (recuperar todo o peso perdido, ou até mais) assim que a pessoa volta a comer normalmente.
A dieta do ovo pode até oferecer uma resposta rápida visual, mas o custo para a saúde metabólica é alto. O emagrecimento saudável e duradouro não se baseia na exclusividade de um único alimento, mas na densidade nutricional e na variedade. Protocolos hiperproteicos podem ser úteis em contextos clínicos de obesidade ou resistência à insulina, desde que sejam estruturados por profissionais, garantindo que o corpo receba todos os fitonutrientes e fibras necessários para funcionar corretamente.
