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sexta-feira, 22 de agosto de 2025 às 11:32 GMT+0

Gatos podem ter Alzheimer? Nova descoberta oferece esperança para humanos

A demência é uma condição devastadora que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, sendo a doença de Alzheimer a sua causa mais comum. Da mesma forma que os humanos, os animais de estimação, especialmente os gatos, também envelhecem e podem desenvolver condições cognitivas semelhantes. Um estudo inovador realizado pela Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, revelou que a demência felina compartilha características patológicas notavelmente similares com o alzheimer humano. Esta descoberta surpreendente posiciona o gato como um "modelo natural perfeito" para o estudo da doença, abrindo caminhos promissores para a pesquisa de tratamentos que possam beneficiar ambas as espécies.

O que é demência felina e como foi descoberta a semelhança?

A demência felina, clinicamente conhecida como síndrome de disfunção cognitiva, manifesta-se em gatos idosos com sintomas muito familiares aos observados em humanos: desorientação, alterações nos padrões de sono, perda de memória e aumento de vocalizações (miados excessivos sem motivo aparente). Para investigar essas semelhanças, uma equipe de cientistas da Royal (Dick) School of Veterinary Studies, liderada por Robert Mcgeachan, realizou exames post-mortem minuciosos nos cérebros de 25 gatos que exibiram esses sintomas em vida.

A descoberta crucial: O acúmulo de proteínas tóxicas

A análise microscópica do tecido cerebral felino revelou a presença de acúmulos da proteína beta-amiloide, especificamente nas sinapses (as conexões entre os neurônios que permitem a comunicação cerebral). Este é exatamente um dos marcadores patológicos definitivos da doença de Alzheimer em humanos. Esses emaranhados de proteínas tóxicas perturbam a função sináptica, levando à perda de memória e ao prejuízo das habilidades cognitivas. Além disso, os pesquisadores observaram a ação de células de suporte do cérebro, os astrócitos e a microglia, que tentavam "podar" ou englobar essas sinapses danificadas, um processo que, embora bem-intencionado, acaba contribuindo para a progressão da demência.

A importância de um modelo natural para a pesquisa

Esta é talvez a contribuição mais significativa do estudo. Tradicionalmente, a pesquisa do Alzheimer depende fortemente de modelos com roedores (como camundongos) que são geneticamente modificados para desenvolver as características da doença. No entanto, os gatos desenvolvem a demência naturalmente com o envelhecimento, assim como os humanos. Isso significa que o processo da doença em gatos pode espelhar de forma muito mais fiel e complexa a progressão do Alzheimer em pessoas, considerando fatores como genética, ambiente e envelhecimento natural.

Como afirmou Mcgeachan, os gatos podem oferecer um modelo de doença mais preciso, superando algumas limitações dos modelos animais tradicionais.

Relevâncias e impactos da pesquisa

Os impactos desta descoberta são duplos e extremamente relevantes:

  • Para a medicina humana: O gato torna-se uma nova e valiosa ferramenta para compreender os mecanismos precisos que causam a perda sináptica e o declínio cognitivo. Estudar como a doença se desenvolve e progride naturalmente neles pode levar à identificação de novos alvos terapêuticos. Mais ainda, tratamentos promissores desenvolvidos para o alzheimer humano podem ser testados nesse modelo natural, acelerando a descoberta de terapias eficazes.
  • Para a medicina veterinária: A demência felina é uma condição real e angustiante para os animais e seus tutores. Compreender sua base patológica é o primeiro passo para desenvolver tratamentos, dietas específicas ou manejos ambientais que possam melhorar a qualidade de vida dos gatos idosos, retardando a progressão da doença. A professora danielle gunn-moore, especialista em medicina felina, enfatiza que o estudo é maravilhoso para os gatos, seus donos e para as famílias humanas afetadas pelo alzheimer.

Aspectos éticos e considerações futuras

É crucial destacar que a pesquisa atual foi conduzida de forma ética e não invasiva, utilizando exclusivamente tecido cerebral de gatos que já haviam falecido naturalmente. O grupo de defesa animal People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) reconheceu este aspecto respeitoso da metodologia. No entanto, organizações como a PETA e os próprios pesquisadores ressaltam a importância de se opor a qualquer futuro experimento que cause sofrimento a gatos vivos. O caminho forward deve ser ético, colaborativo e focado no benefício mútuo, sem exploração.

Uma ponte de esperança entre espécies

A demência, seja em humanos ou em animais de estimação, é uma jornada desafiadora. A pesquisa pioneira da universidade de edimburgo ilumina um caminho de colaboração interdisciplinar única entre a neurologia humana e a medicina veterinária. Ao descobrir que os gatos sofrem de uma forma de demência patologicamente similar à nossa, a ciência ganha um aliado inesperado e poderoso na luta contra o alzheimer. Esta ponte entre espécies não apenas acelera a busca por curas para uma das doenças mais cruéis da humanidade, mas também promete um futuro com mais dignidade e bem-estar para nossos fiéis companheiros felinos em sua velhice.

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