O perigo invisível dos "combos": Por que misturar álcool e energético pode parar seu coração?
Com a chegada das festividades de Carnaval em 2026, a busca por energia extra para aguentar os dias de folia cresce significativamente. Entre as escolhas mais comuns nos blocos e festas estão os "combos" que misturam bebidas alcoólicas e energéticos. No entanto, o que parece ser a solução para o cansaço esconde riscos severos à saúde cardiovascular e ao sistema nervoso.
O efeito "cabo de guerra" no sistema nervoso
- O principal perigo da mistura reside no antagonismo das substâncias: O álcool é um depressor do sistema nervoso central, o que significa que ele reduz a velocidade de resposta do cérebro, relaxa os músculos e afeta a coordenação. Já as bebidas energéticas são estimulantes, ricas em cafeína e taurina, que buscam acelerar o estado de alerta.
- Quando consumidas juntas, ocorre um fenômeno perigoso: o energético mascara a sensação de embriaguez. A pessoa se sente "acesa" e acredita estar mais sóbria do que realmente está, o que facilita o consumo exagerado de álcool e eleva drasticamente o risco de intoxicação aguda.
O coração sob pressão: Arritmias e taquicardia
O Prof. Dr. Roberto Giraldez, do Instituto do Coração (InCor), ressalta que essa combinação impacta diretamente a circulação. O estímulo excessivo pode causar:
- Aumento súbito da pressão arterial: A cafeína em altas doses, somada ao esforço físico da folia, eleva a tensão nos vasos sanguíneos.
- Taquicardia: O coração passa a bater de forma acelerada e descompassada.
- Predisposição a arritmias: O órgão pode perder seu ritmo natural, o que em casos graves pode levar a complicações agudas.
A "síndrome do coração festeiro"
Um dos diagnósticos mais associados aos excessos de Carnaval é a Síndrome do Coração Festeiro (Holiday Heart Syndrome). Essa condição ocorre quando o consumo excessivo e prolongado de álcool desencadeia a fibrilação atrial.
Nesse quadro, os átrios (partes superiores do coração) sofrem uma desorganização elétrica, resultando em batimentos irregulares e trêmulos. Os sintomas mais comuns incluem:
1. Palpitação intensa no peito.
2. Sensação de falta de ar e cansaço extremo.
3. Tontura ou desmaios.
Esses sinais costumam aparecer durante o pico da embriaguez ou nas horas seguintes à interrupção do consumo, durante a fase de "ressaca".
Cuidados essenciais
- A moderação é a melhor aliada da diversão. Ao ignorar os sinais de cansaço do corpo com o uso de estimulantes, o folião ignora também os alertas de que o organismo chegou ao seu limite. Para aproveitar o Carnaval com segurança, é fundamental priorizar a hidratação com água entre as doses de álcool e evitar misturas que forcem o ritmo cardíaco de maneira artificial.
Qualquer sintoma de desconforto torácico, batimentos muito acelerados ou falta de ar deve ser tratado com seriedade, sendo recomendada a busca imediata por atendimento médico nos postos de saúde ou prontos-socorros.
