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sábado, 5 de julho de 2025 às 11:31 GMT+0

Saúde mental na adolescência: O impacto do bullying e da falta de amigos (dados do Brasil e Reino Unido)

Um estudo internacional publicado no Journal of Child Psychology and Psychiatry revelou que fatores sociais, como bullying, dificuldade em fazer amigos e arranjos familiares não convencionais, têm impacto significativo na saúde mental de adolescentes. A pesquisa, que analisou 11.756 jovens no Brasil e no Reino Unido ao longo de três anos, destacou como essas experiências estão associadas a sintomas de ansiedade, depressão e comportamentos agressivos. O trabalho, liderado por pesquisadores do Centro Nacional de Ciência e Inovação em Saúde Mental (CISM), apoiado pela Fapesp, oferece insights valiosos para políticas públicas e intervenções psicossociais.

Principais achados e relevâncias

1. Impacto do bullying:

  • Tanto sofrer quanto praticar bullying foram associados a problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão e agressividade.
  • No Reino Unido, o bullying mostrou um efeito mais intenso, enquanto no Brasil o tamanho da família (como ter muitos irmãos ou meios-irmãos) foi um fator relevante para sintomas internalizantes.

O estudo reforça a necessidade de campanhas antibullying e programas escolares que promovam inclusão e empatia.

2. Dificuldades de conexão social:

  • Adolescentes que relataram dificuldade para fazer amigos ou se relacionar com colegas apresentaram maior risco de desenvolver sintomas emocionais e comportamentais.
  • A mudança frequente de endereço e a ausência de um "bom amigo" também foram fatores prejudiciais.

Estratégias que incentivem a socialização, como atividades em grupo e apoio psicológico, podem mitigar esses efeitos.

3. Estrutura familiar e ambiente doméstico:

  • Arranjos familiares não tradicionais (como pais separados ou convivência com meios-irmãos) e a morte de um cuidador foram associados a pior saúde mental.
  • No Brasil, a dinâmica familiar mostrou-se especialmente influente, possivelmente devido a diferenças culturais e socioeconômicas.

Políticas de apoio a famílias em transição (como divórcio) e acompanhamento psicológico para jovens enlutados são essenciais.

Metodologia e abrangência

  • O estudo utilizou dados harmonizados de dois países, garantindo comparações válidas.
  • Foram analisados sintomas internalizantes (como tristeza e isolamento) e externalizantes (como agressão e mentira).
  • Os pesquisadores incluíram variáveis como bullying, qualidade das amizades e relação com cuidadores, destacando a multidimensionalidade dos fatores sociais.

Recomendações

Os resultados evidenciam que a saúde mental dos adolescentes é moldada por uma complexa rede de fatores sociais, com particularidades culturais. Para reduzir riscos, são necessárias:

  • Intervenções escolares: Programas antibullying e de desenvolvimento de habilidades sociais.
  • Apoio familiar: Orientação a pais e cuidadores sobre como lidar com transições familiares.
  • Políticas públicas: Adaptadas às realidades locais, como observado nas diferenças entre Brasil e Reino Unido.

Aprofundamento

O artigo completo, "Social connection and its prospective association with adolescent internalising and externalising symptoms", está disponível no Journal of Child Psychology and Psychiatry. A pesquisa contou com a colaboração de especialistas como Eurípedes Miguel (USP) e Luis Augusto Rohde (CISM), reforçando seu rigor científico.

Entender como o ambiente social afeta os jovens é o primeiro passo para construir uma sociedade mais acolhedora. Este estudo não apenas ilumina desafios globais, mas também inspira ações locais, afinal, cada amizade cultivada e cada ato de bullying evitado podem transformar vidas.

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