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quinta-feira, 26 de junho de 2025 às 10:30 GMT+0

Coreia do Sul proíbe carne de cachorro: O que acontecerá com 500 mil cães e seus criadores?

Em 2024, a Coreia do Sul aprovou uma lei histórica proibindo a venda de carne de cachorro para consumo, com um prazo até fevereiro de 2027 para que fazendeiros encerrem suas atividades. A medida reflete mudanças culturais e preocupações com direitos animais, mas levanta desafios complexos: o que fazer com os cerca de 500 mil cães ainda em cativeiro e como apoiar os criadores que dependiam desse comércio?

O contexto da proibição e suas motivações

  • Declínio cultural: Pesquisas mostram que apenas 8% dos sul-coreanos consumiram carne de cachorro em 2024, ante 27% em 2015. A prática, antes associada a tradições, tornou-se tabu, especialmente entre jovens urbanos.
  • Riscos sanitários: Especialistas como Chun Myung-Sun, da Universidade Nacional de Seul, destacam que a carne canina não era regulamentada como outras carnes, aumentando riscos de doenças.
  • Pressão internacional: Organizações como Humane World for Animals (Hwak) pressionaram por anos pela proibição, alinhando o país a normas globais de bem-estar animal.

Os desafios pós-proibição

Realocação dos cães:

  • Sobrelotação em abrigos: Raças maiores (como tosa-inu), comuns em fazendas, são menos procuradas para adoção em apartamentos urbanos. Abrigos já estão no limite.
  • Estigma e eutanásia: Cães de fazendas enfrentam preconceito por traumas ou doenças. Cho Hee-kyung, da Associação Coreana de Bem-Estar Animal, admitiu que a eutanásia pode ser inevitável para alguns.

Fazendeiros em crise:

  • Dívidas e desemprego: Criadores como Chan-woo (33 anos) têm até 2027 para vender 600 cães, mas o mercado desapareceu. Muitos, como o reverendo Joo Yeong-bong, acumulam dívidas sem alternativas de renda.
  • Falta de compensação: O governo oferece US$ 450 por cão para quem fechar cedo, mas críticos dizem que é insuficiente para compensar anos de investimento.

Soluções em debate

  • Adoção internacional: ONGs enviaram cães para EUA, Canadá e Reino Unido. Yang Jong-tae (ex-criador) emocionou-se ao ver resgatistas tratando seus cães "como seres dignos".
  • Extensão do prazo: Fazendeiros pedem mais tempo para esvaziar as fazendas, mas o governo resiste, temendo um comércio clandestino.
  • Debate ético: Chun Myung-Sun argumenta que eutanásia em massa seria contraditória, enquanto ativistas defendem mais investimento em abrigos.

Impacto social e cultural

  • Geração em transição: Jovens criadores, como Chan-woo, já sabiam que o setor estava em declínio, mas a proibição acelerou a crise.
  • Divisão de opiniões: Alguns, como Yang Jong-tae, questionam: "Por que vacas e porcos podem ser comidos, mas cães não?". Outros enxergam os cães como companheiros, não alimento.

A proibição da carne de cachorro na Coreia do Sul marca um avanço nos direitos animais, mas expõe falhas na transição. Enquanto a sociedade abraça novos valores, milhares de cães e fazendeiros ficam em limbo, sem soluções claras. O desafio agora é equilibrar compaixão pelos animais com apoio aos humanos afetados — seja através de adoções internacionais, subsídios governamentais ou diálogo sobre ética alimentar. Como alertou Joo Yeong-bong, sem ações concretas, "algo terrível pode acontecer" até 2027.

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