Conteúdo verificado
terça-feira, 12 de agosto de 2025 às 12:33 GMT+0

Mães PJ no Brasil: A crise silenciosa da maternidade sem direitos trabalhistas - O que acontece quando trabalhadoras PJ engravidam?

A crescente adesão ao trabalho como pessoa jurídica (PJ) no Brasil, especialmente entre microempreendedores individuais (MEIs), trouxe autonomia para muitos, mas expôs mulheres grávidas a vulnerabilidades. Sem direitos como licença-maternidade ou estabilidade, mães PJ relatam demissões sumárias, discriminação e dificuldades financeiras. Este resumo detalha os desafios dessas trabalhadoras, as lacunas legais e o debate no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a "pejotização".

A realidade das mães PJ: Demissões e discriminação

  • Caso de Grace Urbinati: Fisioterapeuta demitida ao anunciar gravidez, mesmo com promessa inicial de apoio. Como PJ, perdeu renda e enfrentou rejeição em processos seletivos ao revelar a gestação.
  • Larissa (nome preservado): Ouviu do chefe: "Você vai dar conta com duas filhas?" após ser dispensada grávida do segundo filho. Trabalhava sob condições CLT (horário fixo, hierarquia), mas sem direitos.
  • Valesca Grotmann: Demitida com o bebê no colo após retornar ao trabalho um mês pós-parto. Relatou exclusão gradual de tarefas e padrão de demissão de outras mães na empresa.

Dados relevantes:

  • Em 2025, 78% dos novos CNPJs abertos eram MEIs (Sebrae).
  • Apenas 3% das mulheres com CLT usufruíram de licença-maternidade em 2023 (IBGE).
  • 20% das mães são demitidas até dois anos após a licença (Dieese).

Direitos trabalhistas: CLT vs. PJ

CLT:

  • Estabilidade gestacional, licença de 120 dias (podendo chegar a 180), salário integral, FGTS e multa rescisória.

PJ:

  • Licença-maternidade só é garantida se a MEI contribuir com INSS por 10 meses (120 dias com um salário mínimo).
  • Sem estabilidade, 13º, férias ou jornada controlada.
  • Contratos podem ser rescindidos a qualquer momento, sem justa causa.

Problema central: Muitos contratos PJ simulam vínculos CLT (com horários e subordinação), mas burlam obrigações trabalhistas.

O debate jurídico: Pejotização no STF

Contexto: Em 2022, o STF validou a pejotização em um caso envolvendo médicos, mas em 2025 suspendeu todos os processos sobre o tema no país para evitar decisões conflitantes.

Argumentos:

  • Contra a pejotização: Especialistas como a advogada Veruska Schmidt alertam que o modelo mascara vínculos empregatícios e prejudica grupos vulneráveis, como mães.
  • A favor: Defensores, como o ex-ministro Almir Pazzianotto, veem a PJ como resposta à economia flexível e à preferência por autonomia.
  • Audiência pública: Marcada para setembro/2025, o STF discutirá critérios para evitar fraudes trabalhistas.

Impacto social e de gênero

  • Invisibilidade das mães: Sem CLT, empresas ignoram políticas de diversidade. Mulheres são pressionadas a escolher entre maternidade e carreira.
  • Efeitos psicológicos: Relatos como o de Grace ("Me senti inválida") mostram o custo emocional da insegurança.
  • Precarização ampliada: Trabalhadoras sem direitos evitam denunciar assédio ou más condições por medo de demissão.

"A maternidade tem um preço que a paternidade nunca pagará: é o corpo que se transforma, a carreira que pausa, os sonhos que se recalibram. Enquanto homens seguem sendo avaliados por sua produtividade, mulheres são julgadas por sua disponibilidade. Não se trata de comparar papéis, mas de reconhecer que a gravidez é um divisor de águas físico, emocional e profissional exclusivamente feminino e que uma sociedade justa não pode fingir que essa assimetria não existe."

Um desafio estrutural

A pejotização reflete mudanças profundas no mercado de trabalho, mas sua regulamentação falha em proteger mulheres grávidas. Enquanto o STF debate a legalidade desses contratos, mães PJ enfrentam realidades desiguais, muitas vezes obrigadas a retomar atividades dias após o parto. A solução exigirá não apenas ajustes legais, mas uma mudança cultural que reconheça a maternidade como direito, não como ônus.

Estão lendo agora

Alerta cibernético: Extensões do google chrome que roubam senhas e bloqueiam sua defesa 2026O que parece uma ferramenta útil de produtividade pode ser, na verdade, um espião digital altamente sofisticado. Recente...
O que assistir na Netflix? 10 indicações de filmes e séries em alta (12/07) - ConfiraSe você está em busca de ótimas opções de entretenimento para o fim de semana, a Netflix oferece uma vasta seleção de fi...
Prime Video em Maio 2025: Confira os melhores lançamentos – Filmes, séries e documentários imperdíveis!O Prime Video, serviço de streaming da Amazon, anunciou sua lista de lançamentos para maio de 2025, repleta de estreias ...
"O Massacre da Família Hope" - Terror Gótico inspirado em True Crime e Mike FlanaganO mais novo lançamento de Riley Sager, "O Massacre da Família Hope", chegou às livrarias brasileiras em setembro de 2024...
Trem-Bala SP-Rio: Passagem a R$ 500, viagem em 1h45 e tudo sobre o projeto revolucionárioO projeto do trem-bala entre São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), discutido há décadas, está finalmente próximo de se t...
5 filmes escondidos no Prime Video que você pode ter ignorado (mas não deveria) - ConfiraO Prime Video oferece um vasto catálogo, mas muitos filmes de qualidade passam despercebidos entre os blockbusters e lan...
Os 10 mandamentos do crime: O código de conduta que rege as favelas do Comando Vermelho e que não mudam após a megaoperação do estadoO Comando Vermelho (CV), uma das maiores facções criminosas do Brasil, impõe um regime de regras estritas e punições sev...
Fair Play financeiro CBF: O fim das dívidas? Entenda as regras, punições e o futuro sustentável do futebol brasileiroA Confederação Brasileira de Futebol (CBF) lançou o Sistema de Sustentabilidade Financeira, popularmente conhecido como ...
Axexê e suicídio no Candomblé: O dilema espiritual que desafia tradição e saúde mentalO suicídio é uma questão complexa que desafia tradições e crenças em diversas culturas, incluindo as religiões de matriz...