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domingo, 25 de janeiro de 2026 às 10:26 GMT+0

O aluguel da infância: Quando o casamento mascara o abuso sexual e emocional legalizado - Escravidão infantil

O casamento infantil é uma das formas mais persistentes de violência contra a criança, frequentemente legitimada por leis arcaicas ou tradições distorcidas. O caso de Patricia Lane, que aos 14 anos foi "entregue" por sua mãe a um homem adulto nos Estados Unidos, é um exemplo contundente de como o sistema jurídico pode ser usado para validar o que, em qualquer outro contexto, seria classificado como crime. Quando pais facilitam essas uniões, eles muitas vezes transferem a custódia legal de um vulnerável para um agressor, anulando a proteção do Estado e expondo a criança a abusos físicos, psicológicos e sexuais.

Práticas absurdas: Quando a proteção parental se torna traição

Baseado em relatórios de organizações como Human Rights Watch, UNICEF e Unchained at Last, existem padrões de abusos cometidos contra crianças que são entregues a adultos por seus próprios responsáveis:

  • A "regularização" do estupro: Em muitos casos, se um adulto comete violência sexual contra uma criança e ela engravida, os pais pressionam pelo casamento para evitar o "escândalo" ou para impedir que o agressor seja preso. O matrimônio serve como um salvo-conduto jurídico que silencia a vítima e legaliza o abuso contínuo.
  • A criança como moeda de troca (dívidas e disputas): Em certas regiões, crianças são entregues a credores para quitar dívidas financeiras da família ou como forma de "compensação" para encerrar disputas entre clãs. A vida da criança é tratada como um bem material para resolver problemas de adultos.
  • Coerção reprodutiva extrema: Crianças com corpos ainda em desenvolvimento são forçadas a sucessivas gravidezes. Relatos médicos indicam que meninas de 12 ou 13 anos sofrem lacerações graves e riscos fatais durante o parto, mas são obrigadas pelos "maridos" com o consentimento dos pais a continuar procriando para provar fertilidade ou status social.
  • Servidão doméstica e isolamento total: Uma vez entregue ao adulto, a criança perde o direito de frequentar a escola e de manter contato com amigos. Ela passa a atuar como empregada doméstica não remunerada e objeto sexual, vivendo em um estado de cárcere privado vigiado, onde a própria família biológica muitas vezes ignora os pedidos de socorro para manter o "acordo" matrimonial.

O funcionamento do casamento infantil no Brasil

No Brasil, o cenário é complexo e mistura a lei formal com a aceitação social de uniões precoces.

  • A rigidez da lei atual: Desde 2019, a lei brasileira é clara: é proibido o casamento de pessoas com menos de 16 anos sob qualquer pretexto. Entre 16 e 18 anos, a união só ocorre com autorização dos pais ou suprimento judicial.
  • O problema das uniões informais: Apesar da lei, o Brasil ocupa posições alarmantes em rankings globais devido às uniões estáveis informais. Pais em situação de extrema pobreza muitas vezes incentivam que filhas adolescentes "vão morar" com homens mais velhos na esperança de que elas tenham o que comer, ignorando o ciclo de violência que se inicia.
  • A influência do "casar para limpar o nome": Ainda persiste em áreas rurais e periféricas a ideia de que, se uma menina perdeu a virgindade ou engravidou, ela deve ser "entregue" ao homem para não se tornar um fardo social para a família, perpetuando o controle patriarcal sobre o corpo da jovem.

O panorama global: Diferentes faces da mesma violência

Ao redor do mundo, as justificativas para o casamento infantil variam, mas o impacto na criança é universalmente devastador.

  • Estados Unidos e as brechas estaduais: Como visto no relato de Patricia Lane, em 2026, muitos estados americanos ainda permitem o casamento de menores com o "consentimento dos pais". Isso cria um refúgio legal para predadores sexuais que buscam meninas jovens em comunidades isoladas.
  • África e Ásia (O peso do dote): Em países como Níger ou Bangladesh, o sistema de dote ou "preço da noiva" transforma o casamento infantil em uma transação financeira vital para a sobrevivência das famílias mais pobres, onde quanto mais jovem a noiva, maior pode ser o valor recebido ou menor o gasto da família de origem.
  • Zonas de conflito: Em situações de guerra, o casamento infantil aumenta drasticamente. Pais refugiados entregam suas filhas a homens mais velhos na crença de que o casamento oferecerá uma proteção que o Estado não pode mais prover, o que frequentemente resulta em tráfico humano disfarçado de união.

O papel das leis e da sociedade

O casamento infantil não é uma questão de amor ou tradição; é uma falha institucional que permite que o poder dos pais se sobreponha à integridade da criança. Exemplos absurdos de servidão e abuso sexual legalizado demonstram que o consentimento parental não pode ser um cheque em branco para a violação de direitos. Para erradicar essa prática, é necessário que a idade mínima de 18 anos seja um padrão global inegociável, acompanhado de fiscalização rigorosa sobre as uniões informais e suporte econômico para que famílias não vejam seus filhos como moedas de troca.

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