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sexta-feira, 5 de junho de 2026 às 10:34 GMT+0

O Brasil invisível da Geração Z: Bolsonarismo, feminismo e direitos LGBTQ - Jovens brasileiros são mais conservadores em 2026?

Segundo uma ampla pesquisa realizada pela Quaest em parceria com o instituto More in Common, a ideia de que a geração Z brasileira está se tornando mais conservadora do que as gerações anteriores não encontra respaldo nos dados. Embora muitos jovens se definam como conservadores, eles continuam, em média, menos conservadores do que os brasileiros mais velhos em diversos temas sociais e culturais.

O que a pesquisa descobriu

A pesquisa analisou opiniões de cerca de 10 mil brasileiros sobre temas ligados a gênero, sexualidade e identidade política. Os resultados mostram que os jovens ocupam uma posição intermediária: defendem alguns avanços em direitos individuais, mas também mantêm visões mais tradicionais em determinadas questões.

Uma geração cheia de contrastes

Entre os principais achados, destacam-se algumas aparentes contradições:

1. Grande parte dos jovens apoia o direito de casais gays adotarem crianças.
2. Ao mesmo tempo, muitos acreditam que a homossexualidade deveria ser vivida de forma mais reservada.
3. A maioria rejeita a ideia de que homens são superiores às mulheres.
4. Porém, uma parcela significativa vê o feminismo com desconfiança e acredita que ele pode representar uma ameaça à família tradicional.
5. Muitos defendem ações contra o bullying e a discriminação, mas rejeitam a associação dessas pautas a movimentos políticos específicos.

Conservadorismo não é exclusividade dos jovens

  • O estudo concluiu que não existe evidência de que os jovens brasileiros sejam mais conservadores do que os mais velhos. Em praticamente todos os temas analisados, os níveis de conservadorismo foram iguais ou menores entre os integrantes da geração Z quando comparados às faixas etárias mais avançadas.
  • Os pesquisadores apontam que o conservadorismo continua sendo uma das principais formas de organização política e cultural da sociedade brasileira, independentemente da idade.

O crescimento do bolsonarismo entre homens jovens

  • Um dos resultados mais relevantes foi a forte identificação de homens jovens com o bolsonarismo.
  • Entre homens de 16 a 24 anos, a identificação com ideias associadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro é maior do que entre homens de faixas etárias mais velhas. Ainda assim, isso não significa necessariamente que esses jovens compartilhem todas as posições conservadoras defendidas pelo movimento. Os pesquisadores destacam que o voto e a identificação política costumam ser formados por múltiplos fatores e não por um único conjunto de valores.

Redes sociais e a percepção de uma juventude mais radical

  • A pesquisa também sugere que fenômenos muito visíveis nas redes sociais podem criar uma impressão exagerada sobre o comportamento da juventude.
  • Movimentos ligados à chamada "machosfera", conteúdos de masculinidade extrema e tendências como o "looksmaxxing" ganharam enorme repercussão online. No entanto, os pesquisadores alertam que esses grupos representam nichos específicos e não necessariamente refletem a maioria dos jovens brasileiros.

Por que os resultados diferem de pesquisas internacionais?

  • Os autores apontam que muitos estudos estrangeiros utilizam entrevistas online, que tendem a alcançar públicos mais conectados, urbanos e engajados politicamente.
  • Já a pesquisa brasileira foi realizada presencialmente, buscando representar diferentes regiões, classes sociais e perfis da população. Essa diferença metodológica pode explicar por que algumas pesquisas internacionais apontam uma juventude mais conservadora, enquanto os dados brasileiros mostram um cenário mais equilibrado.

A pesquisa revela uma geração Z brasileira mais complexa do que os estereótipos sugerem. Os jovens demonstram apoio a diversos direitos e pautas de igualdade, mas frequentemente rejeitam os rótulos políticos associados a esses temas. Embora existam sinais de maior identificação com movimentos conservadores em alguns grupos, especialmente entre homens jovens, os dados não indicam que a juventude brasileira seja mais conservadora do que as gerações anteriores. O estudo reforça que as novas gerações estão construindo suas próprias formas de enxergar política, costumes e identidade, combinando valores tradicionais e modernos de maneira muito menos previsível do que aparenta o debate nas redes

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