"Disseram que eu reclamava demais": SOMP - A doença invisível que rouba energia, afeta a autoestima e ainda é minimizada
A antiga Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), agora chamada de Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), afeta cerca de 170 milhões de mulheres no mundo. A mudança de nome busca refletir melhor a realidade de uma condição que vai muito além dos ovários e impacta diversos sistemas do organismo.
Muito mais do que um problema ginecológico
A SOMP pode causar sintomas como:
1. Cansaço constante e falta de energia
2. Menstruação irregular ou ausente
3. Ganho de peso e dificuldade para emagrecer
4. Crescimento excessivo de pelos
5. Dificuldade para engravidar
6. Ansiedade, depressão e baixa autoestima
Além disso, aumenta o risco de diabetes tipo 2, hipertensão e outras complicações metabólicas.
O problema da banalização dos sintomas
Um dos maiores desafios enfrentados pelas pacientes é que seus sintomas frequentemente são ignorados ou minimizados.
Muitas mulheres ouvem desde a adolescência frases como:
- "Isso é normal."
- "Toda mulher passa por isso."
- "Você está exagerando."
- "Você reclama demais."
Como consequência, inúmeras pacientes passam anos sem diagnóstico adequado, convivendo com dores, exaustão, alterações hormonais e sofrimento emocional sem receber a atenção necessária.
Uma condição que ainda sofre com falta de informação
- Apesar de afetar cerca de uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva, estima-se que até 70% dos casos não sejam diagnosticados. A falta de conhecimento sobre a síndrome, tanto na sociedade quanto em parte da comunidade médica, contribui para atrasos no tratamento e piora da qualidade de vida.
Por que a mudança de nome importa?
- Os especialistas esperam que a nova nomenclatura ajude a ampliar a conscientização, melhorar os diagnósticos e estimular mais pesquisas e tratamentos. O objetivo é que a síndrome deixe de ser vista como um simples problema dos ovários e passe a ser reconhecida como uma condição crônica e complexa que merece atenção integral.
A SOMP não é apenas uma questão hormonal ou reprodutiva. Para muitas mulheres, ela representa anos de sintomas ignorados, diagnósticos tardios e a sensação de não serem levadas a sério. A mudança de nome é um passo importante para combater essa banalização e lembrar que, por trás de cada relato de cansaço, dor ou dificuldade, pode existir uma condição real que precisa ser compreendida e tratada adequadamente.
