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quarta-feira, 20 de agosto de 2025 às 14:13 GMT+0

O fim da impunidade digital? Influenciadoras recebem pena dura por racismo contra crianças - A crueldade travestida de zoação

Em um caso com grande repercussão nacional, a justiça brasileira enviou uma mensagem clara contra o racismo. Em maio de 2024, a justiça do Rio de Janeiro condenou duas influenciadoras digitais a uma pena severa por um crime de racismo cometido contra duas crianças. A decisão vai além de uma simples sentença: ela estabelece um precedente sobre a gravidade do racismo, a responsabilidade de figuras públicas e a falta de impunidade na internet.

Os fatos: A crueldade disfarçada de "desafio"

O crime ocorreu em 2023, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro. As rés, Nancy Gonçalves Cunha Ferreira e sua filha, Kerollen Vitória Cunha Ferreira, eram criadoras de conteúdo digital.

A sentença: Pena severa e reparação

  • A sentença, proferida pela juíza Simone de Faria Ferraz da 1ª Vara Criminal de São Gonçalo, foi incisiva. As duas influenciadoras foram condenadas a 12 anos de prisão em regime fechado pelo crime de racismo. Além da pena privativa de liberdade, a juíza determinou o pagamento de uma indenização por danos morais no valor de R$ 20 mil para cada criança vitimada.

  • Em sua fundamentação, a magistrada foi categórica ao analisar a conduta das rés, destacando que elas não apenas praticaram o ato discriminatório, mas também monetizaram a dor e a humilhação das vítimas.

A sentença ressalta: “ao fazer jocoso o anseio de crianças, entregando-lhes banana ou macaquinho de pelúcia, animalizando-as para além do humano, riram de suas opções cegas, em verdade, sem escolha”.

A importância do caso

  • Marco no combate ao racismo digital: O caso prova que a internet não é uma terra sem lei e que crimes de ódio online, especialmente por influenciadores, serão punidos.
  • Gravidade do crime de racismo: A condenação reforça que o racismo é um crime inafiançável e imprescritível no Brasil, e que a Lei Caó (Lei 7.716/89) deve ser aplicada com rigor.
  • Responsabilidade dos influenciadores: O julgamento serve como um alerta para que criadores de conteúdo entendam sua responsabilidade social e não utilizem seu poder de influência para promover discriminação.
  • Proteção integral à criança: A sentença reconheceu a vulnerabilidade das vítimas, agravando a reprovação da conduta das adultas que se aproveitaram dessa condição.

A defesa e o próximo passo

O advogado das influenciadoras, Mário Jorge dos Santos Tavares, afirmou que as rés sempre colaboraram com o processo e que confiam na justiça. A defesa indicou que deve recorrer da decisão.

"Este veredicto é um marco contra a desumanização flagrante. No entanto, a cultura que animaliza uma pessoa pela cor da sua pele é a mesma que ridiculariza outra pelo formato do seu corpo ou pela sua capacidade cognitiva. A justiça puniu o ato explícito, mas a batalha maior é contra a mentalidade que ainda vê a humilhação do outro como entretenimento, vestindo a crueldade com o casaco folgado da 'brincadeira'."

Um alerta necessário

A condenação de Nancy e Kerollen Ferreira é um sinal potente de que o sistema de justiça está evoluindo no enfrentamento ao racismo estrutural. O caso deixa claro que atos de discriminação, especialmente quando exploram a vulnerabilidade infantil e monetizam o ódio, terão consequências graves. Essa decisão histórica ressalta um princípio fundamental: a dignidade humana é inviolável, e qualquer violação a esse princípio, quando amplificada pelas redes sociais, será punida com todo o rigor da lei.

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