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segunda-feira, 2 de setembro de 2024 às 11:15 GMT+0

Pesquisadores brasileiros no exterior: Por que saem, quem são e como podemos aproveitar seu conhecimento?

A mobilidade internacional de pesquisadores é um fenômeno cada vez mais relevante no cenário científico global. Compreender quem são os cientistas brasileiros que atuam no exterior e quais são suas motivações é essencial para elaborar políticas eficazes que impulsionem a ciência nacional. Um levantamento inédito realizado pelo projeto "Contribuição da Diáspora Científica Brasileira", financiado pela Fapesp e coordenado pelo Laboratório de Estudos da Organização da Pesquisa e da Inovação (Geopi) da Unicamp, fornece insights valiosos sobre esse tema.

Perfil dos Pesquisadores brasileiros no exterior

O estudo coletou informações de 1.200 pesquisadores brasileiros distribuídos em 42 países, revelando características demográficas e profissionais significativas.

Dados Demográficos

  • Idade Média: 37 anos.
  • Gênero: Equilíbrio quase perfeito entre homens e mulheres.
  • Raça/Cor: 72% se identificam como brancos.
  • Situação Profissional Atual
  • 67% estão trabalhando.
  • 31% estão estudando.
  • 10% estão estudando e trabalhando simultaneamente.
  • Apenas 2% não estão nem estudando nem trabalhando no momento da pesquisa.

Situação profissional no momento da saída do Brasil

  • Apenas 12% estavam desempregados ao deixar o país.
  • Intenção de Retorno ao Brasil
  • Mais de 70% não têm previsão de retorno.
  • Entre professores e pesquisadores com contrato permanente, esse número sobe para mais de 90%.

Principais motivações para deixar o Brasil

As razões que levaram os pesquisadores a buscar oportunidades no exterior são variadas, mas algumas se destacam pela frequência com que foram mencionadas:

  • Oferta de trabalho ou pós-doutorado no exterior.
  • Melhores condições de financiamento para pesquisa e atividades acadêmicas.
  • Bolsa oferecida pelo país de destino.
  • Situação política no Brasil.

Esses motivos refletem tanto oportunidades externas quanto desafios internos enfrentados pelo sistema científico brasileiro.

Reflexões sobre a Diáspora Científica e Políticas de Repatriação

O CNPq recentemente lançou o Programa de Repatriação de Talentos - Conhecimento Brasil, visando atrair até mil pesquisadores de volta ao país com incentivos financeiros e benefícios adicionais. No entanto, os dados do estudo sugerem que a repatriação física pode não ser a solução mais eficaz ou desejada por grande parte dos cientistas no exterior.

Importância da Circulação de Cérebros

  • Circulação de Cérebros: Conceito que valoriza a mobilidade e o intercâmbio de conhecimento sem exigir o retorno permanente dos pesquisadores.
  • Engajamento Remoto: Estabelecimento de parcerias e colaborações entre pesquisadores no exterior e instituições nacionais pode ser mais benéfico e realista.
  • Tecnologias Digitais: Facilitam a manutenção de vínculos e a colaboração científica independente da localização geográfica.

Desafios e Considerações

  • Capacidade de Absorção Interna: O mercado brasileiro nem sempre consegue absorver os doutores formados anualmente, indicando a necessidade de políticas que fortaleçam o sistema científico interno.
  • Equidade de Gênero: Apesar do equilíbrio geral, cargos permanentes são majoritariamente ocupados por homens, apontando para a necessidade de políticas de igualdade de oportunidades.
  • Diversidade de Perfis: Reconhecer que há múltiplas diásporas científicas brasileiras com diferentes necessidades e contribuições potenciais.

Compreender profundamente o perfil e as motivações dos pesquisadores brasileiros no exterior é fundamental para o desenvolvimento de políticas que realmente fortaleçam a ciência nacional. Em vez de focar exclusivamente na repatriação física, estratégias que promovam a circulação de conhecimento e o engajamento ativo dos cientistas da diáspora podem gerar resultados mais eficazes e sustentáveis. É imprescindível valorizar tanto os pesquisadores que atuam fora quanto aqueles que permanecem no país, criando um ecossistema científico inclusivo e robusto que aproveite ao máximo os talentos disponíveis em diferentes contextos geográficos.

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