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domingo, 31 de maio de 2026 às 10:24 GMT+0

Quem é El Temach? De ator fracassado a fenômeno da internet - A transformação e o império milionário da machosfera

A reportagem da BBC investiga a trajetória de Luis Castilleja, conhecido como El Temach, influenciador mexicano que se tornou uma das principais vozes da chamada machosfera na América Latina. Com milhões de seguidores, ele desperta admiração entre fãs e preocupação entre especialistas por suas mensagens sobre masculinidade, relacionamentos e papel das mulheres na sociedade.

Quem é El Temach?

  • Estudou teatro e tentou construir carreira como ator em Hollywood.
  • Retornou ao México após dificuldades profissionais e pessoais.
  • Começou produzindo conteúdo de autoestima e desenvolvimento pessoal para homens.
  • Gradualmente passou a adotar discursos mais polêmicos sobre mulheres e relacionamentos.
  • Hoje soma mais de 11 milhões de seguidores nas redes sociais.

Segundo sua irmã, Alex Castilleja, a mudança foi tão profunda que os dois deixaram de se falar.

O que atrai tantos seguidores?

Muitos jovens afirmam encontrar em seu conteúdo:

  • Incentivo à autoconfiança.
  • Disciplina e motivação pessoal.
  • Reconhecimento de problemas enfrentados pelos homens.
  • Sentimento de pertencimento a uma comunidade.

A investigação mostrou que crises pessoais, como términos de relacionamento e inseguranças emocionais, frequentemente levam jovens a consumir esse tipo de conteúdo.

A controvérsia

Críticos e especialistas afirmam que parte das mensagens da machosfera:

  • Culpa mulheres pelos problemas masculinos.
  • Reforça estereótipos de gênero.
  • Incentiva visões negativas sobre mães solteiras e relacionamentos.
  • Alimenta conflitos entre homens e mulheres.

Já El Temach e sua equipe rejeitam as acusações de misoginia, afirmando que seu objetivo é fortalecer os homens e promover o crescimento pessoal.

A relação com as críticas e a imprensa

Um episódio citado pela BBC ajuda a entender a postura de El Temach diante das acusações de misoginia. Inicialmente, ele aceitou participar da reportagem e chegou a convidar a equipe para acompanhar sua turnê internacional. Porém, poucos dias antes das gravações, voltou atrás e anunciou publicamente que não participaria.

Durante uma transmissão ao vivo no YouTube, declarou:

"BBC e senhorita Jacqui da BBC, não precisamos da sua permissão para ser homens. Façam seu documentário, não me envolvam nem aos meus irmãos."

Um negócio milionário

Além da enorme audiência, El Temach transformou sua popularidade em uma atividade extremamente lucrativa.

Segundo estimativas citadas pela BBC entre 2025 e 2026:

  • Cerca de US$ 1,5 milhão (aproximadamente R$ 7,6 milhões) apenas em visualizações nas redes sociais.
  • Entre US$ 200 mil e US$ 300 mil (cerca de R$ 1 milhão a R$ 1,5 milhão) em doações e mensagens pagas durante transmissões ao vivo.
  • Workshops exclusivos cobrando aproximadamente US$ 800 (cerca de R$ 4 mil) por participante.
  • Receita adicional com shows, eventos presenciais e venda de produtos personalizados.

Esses números ajudam a explicar por que o nicho da machosfera se tornou um mercado tão competitivo e atrativo para criadores de conteúdo.

O papel das redes sociais

A reportagem destaca que algoritmos costumam recomendar conteúdos da machosfera para usuários interessados em temas como:

  • Desenvolvimento pessoal.
  • Academia e condicionamento físico.
  • Sucesso profissional.
  • Masculinidade e relacionamentos.

Isso contribui para o rápido crescimento desse tipo de influência em várias partes do mundo.

Por que essa história importa?

  • O fenômeno de El Temach reflete uma discussão global sobre masculinidade na era digital. Para seus apoiadores, ele oferece orientação e confiança. Para seus críticos, representa um exemplo de como conteúdos de autodesenvolvimento podem evoluir para discursos que reforçam divisões e estereótipos de gênero.

O preço da fama e a distopia digital

A transição de Luis Castilleja para El Temach exemplifica como a economia da atenção das redes sociais pode distorcer personalidades e incentivar a propagação de ideologias prejudiciais. Enquanto seguidores buscam no influenciador uma bússola moral e confiança, a investigação revela um modelo de negócio baseado na polarização e na negação de direitos fundamentais. A ruptura familiar relatada por sua irmã serve como um alerta sobre o custo humano e social dessa "indústria" da machosfera, que transforma a insegurança dos homens em lucros astronômicos, enquanto deixa um rastro de relacionamentos abusivos e discursos de ódio no mundo real.

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