O lado sombrio do OnlyFans: BBC revela ameaças, contratos abusivos e um mercado bilionário de exploração
Em reportagem publicada em 15 de junho de 2026, a BBC revelou denúncias graves envolvendo agências que gerenciam perfis de criadores de conteúdo na plataforma OnlyFans. Conhecidos como OFMs (OnlyFans Managers), esses agentes prometem aumentar os ganhos dos usuários, mas são acusados de práticas abusivas, controle excessivo, ameaças e exploração financeira.
O que são os OFMs e por que eles cresceram
- O sucesso financeiro do OnlyFans criou um mercado paralelo de gestores que oferecem serviços para atrair assinantes e aumentar receitas.
- Em troca, essas agências costumam ficar com uma parcela significativa dos lucros, frequentemente entre 50% e 70%, além de exigir acesso total às contas dos criadores.
Relatos de controle e intimidação
Um dos casos mais chocantes é o de Rebecca, criadora de conteúdo do Reino Unido, que afirma ter sofrido ameaças contra si e sua filha após tentar recuperar o controle de sua conta.
Segundo seu relato, o ambiente inicialmente amigável transformou-se em um relacionamento marcado por:
- Controle sobre sua vida pessoal.
- Insultos e pressão psicológica.
- Ameaças diretas.
- Tentativas de impedir seu acesso à própria conta.
- Episódios de violência e intimidação física.
Contratos que podem aprisionar criadores
A investigação identificou contratos considerados abusivos por especialistas jurídicos.
Entre os principais problemas estavam:
- Retenção de grande parte dos ganhos.
- Multas elevadas para encerrar contratos.
- Controle sobre senhas e dados bancários.
- Exigências rígidas de produção de conteúdo.
- Dificuldade prática para deixar a agência.
Especialistas compararam algumas dessas relações a formas modernas de dependência econômica e exploração.
O papel das redes privadas de gestores
A BBC também se infiltrou em grupos privados de agentes no Telegram, onde encontrou discussões sobre:
- Como assumir o controle de contas.
- Formas de dificultar a saída de criadores.
- Estratégias para manter acesso a pagamentos.
- Comentários que sugeriam intimidação e pressão contra clientes que desejavam romper contratos.
As críticas ao OnlyFans
- A investigação levanta questionamentos sobre a responsabilidade da plataforma em proteger seus usuários.
- Especialistas em direitos humanos e autoridades britânicas afirmam que há sinais preocupantes de exploração que merecem maior fiscalização. Já o OnlyFans argumenta que não participa dos contratos firmados entre criadores e agências e afirma investir em segurança e monitoramento das contas.
Um alerta para quem busca ganhos rápidos
- O caso mostra que o crescimento de plataformas digitais também cria oportunidades para intermediários pouco transparentes. A promessa de dinheiro fácil ou crescimento acelerado pode levar criadores a assinar contratos sem compreender totalmente suas consequências.
- Antes de entregar acesso a contas, receitas ou dados pessoais, especialistas recomendam analisar cuidadosamente contratos, buscar orientação jurídica e pesquisar o histórico de qualquer agência ou gestor.
A investigação da BBC revela um lado pouco conhecido da economia dos criadores de conteúdo: a atuação de agentes que, em alguns casos, ultrapassam os limites da gestão profissional e entram em territórios de coerção, intimidação e exploração. O caso reforça a necessidade de maior transparência, regulamentação e proteção para profissionais que dependem de plataformas digitais para gerar renda, especialmente em setores onde a vulnerabilidade financeira pode ser usada como instrumento de controle.
