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terça-feira, 21 de outubro de 2025 às 12:02 GMT+0

Choque tecnológico chinês: Como o novo plano quinquenal (2026–2030) vai reconfigurar a economia mundial - Autossuficiência e domínio

O Partido Comunista Chinês, por meio de seus líderes reunidos em Pequim, está definindo as diretrizes estratégicas que guiarão a segunda maior economia do mundo no próximo Plano Quinquenal, que abrange o período de 2026 a 2030. Este processo de planejamento centralizado, que se inicia com a Plenária do Comitê Central, é de suma importância e tem o potencial de remodelar a economia e a geopolítica globais, priorizando a inovação e a segurança nacional.

A relevância inegável do planejamento centralizado da China:

  • Força motriz do direcionamento estatal: Os Planos Quinquenais são a espinha dorsal da política econômica chinesa desde 1953, servindo para definir metas claras, indicar a direção estratégica da liderança e mobilizar os vastos recursos do Estado para atingir esses objetivos predefinidos.
  • Impacto global imediato: O modelo chinês, guiado por ciclos de planejamento de longo prazo em vez de eleições, costuma gerar decisões com repercussões profundas e globais, afetando o comércio, o emprego e as cadeias de suprimentos em todo o mundo.
  • Continuidade e previsibilidade: Este sistema oferece estabilidade e continuidade de longo prazo para as políticas econômicas e sociais, um fator que atrai atenção internacional em um cenário global de incertezas.

Três momentos cruciais que redefiniram a economia mundial:

1981–84: A era da "reforma e abertura":

  • Inovação: Sob a liderança de Deng Xiaoping, a China abandonou o rígido planejamento central ao estilo soviético e abraçou elementos da economia de mercado.
  • Importância: A política, consolidada no Plano Quinquenal da época, levou à criação de zonas econômicas especiais e atraiu investimentos estrangeiros.
  • Repercussão global: Este movimento transformou o país em uma potência econômica e, no século XXI, resultou no "choque da China", com a transferência de milhões de empregos industriais do Ocidente para as regiões costeiras chinesas, o que fomentou a ascensão de movimentos populistas em países como os Estados Unidos.

2011–15: Foco nas "indústrias estratégicas emergentes":

  • Inovação: O Partido Comunista Chinês, temendo cair na "armadilha da renda média", passou a focar em tecnologias de alto valor agregado.
  • Importância: O foco incluiu veículos elétricos, painéis solares e outras tecnologias verdes.
  • Repercussão global: A mobilização de recursos inéditos impulsionou esses setores, fazendo da China uma líder global em energias renováveis e veículos elétricos. Além disso, o país consolidou seu controle sobre o fornecimento de terras raras, essenciais para chips e Inteligência Artificial, conferindo-lhe uma posição de poder geopolítico.

2021–2025: A busca pelo "desenvolvimento de alta qualidade":

  • Inovação: Conceito introduzido formalmente por Xi Jinping em 2017, a meta é desafiar o domínio tecnológico dos Estados Unidos e colocar a China na linha de frente do setor.
  • Importância: Casos de sucesso doméstico, como o TikTok, a Huawei e o modelo de Inteligência Artificial DeepSeek, ilustram esse avanço, que é visto com desconfiança pelo Ocidente.
  • Novo direcionamento: Com proibições de venda de componentes avançados, como semicondutores da Nvidia, a estratégia evoluiu para o conceito de "novas forças produtivas de qualidade", focado em autossuficiência tecnológica e segurança nacional.

As metas e prioridades para o próximo ciclo (2026–2030):

O próximo plano quinquenal, o 15º, baseia-se em princípios como a liderança do Partido, a centralidade do povo, o desenvolvimento de alta qualidade, o aprofundamento das reformas e a coordenação entre desenvolvimento e segurança. As prioridades antecipadas são:

1. Autossuficiência e segurança tecnológica:

  • Este é o pilar central, impulsionado pela necessidade de a China ser imune a embargos e não depender da tecnologia ocidental. A meta é liderar a produção de chips, computação e Inteligência Artificial, garantindo que o país nunca mais seja dominado por potências estrangeiras.

2. Inovação e desenvolvimento de alta qualidade:

  • Continuar a modernização industrial e o desenvolvimento tecnológico, investindo em ciência e tecnologia como principal motor de expansão.

3. Fortalecimento do consumo interno:

  • Reforçar o papel do mercado doméstico como principal motor da expansão, estimulando o consumo e combatendo desigualdades regionais, em uma tentativa de reequilíbrio econômico.

4. Transição verde e liderança em energias limpas:

  • Consolidar a liderança global em tecnologias de baixo carbono, como energia solar e veículos elétricos, e ampliar o papel da China como fornecedor mundial de produtos sustentáveis.

5. Modernização socialista e bem-estar social:

  • Avançar na meta de modernização socialista até 2035, ampliando a seguridade social, saúde e educação, e promovendo a prosperidade comum.

O planejamento estratégico da China, materializado em seus Planos Quinquenais, demonstra um projeto nacionalista de longo prazo que utiliza a disciplina do planejamento centralizado como instrumento de força. O 15º Plano Quinquenal (2026–2030) sinaliza uma nova era focada na autossuficiência tecnológica e na segurança nacional, sob a visão de Xi Jinping. A capacidade de a China de "gerir bem seus próprios assuntos" com tal foco e continuidade não só definirá seu próprio futuro, mas também continuará a moldar a estabilidade, a dinâmica e as cadeias de valor da economia global. O mundo assiste atentamente às decisões tomadas em Pequim, ciente de que elas são a base de um projeto que busca consolidar o lugar da China entre as grandes potências mundiais.

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