Nova guerra comercial? Entenda as novas tarifas globais de 15% aplicadas por Trump e o impacto para o Brasil
Em um movimento rápido após um revés no Judiciário, o presidente Donald Trump elevou para 15% a nova tarifa global sobre produtos importados pelos Estados Unidos. O anúncio, realizado em 21 de fevereiro de 2026, redefine a política comercial americana e busca contornar limitações impostas pela Suprema Corte. A medida visa, segundo o governo, fortalecer a indústria interna e equilibrar o déficit comercial, embora gere incertezas sobre a inflação e as relações com parceiros internacionais.
A reviravolta na Suprema Corte
Na sexta-feira (20/2), a Suprema Corte dos EUA impôs uma derrota significativa ao governo ao considerar ilegais as tarifas baseadas na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).Por 6 votos a 3, os ministros entenderam que o presidente não pode usar poderes de emergência para criar impostos de forma ampla sem a participação do Congresso. Essa decisão invalidou cobranças que já haviam somado cerca deUS$ 130 bilhões, abrindo caminho para uma disputa bilionária sobre possíveis reembolsos a empresas importadoras.
A estratégia da Seção 122: O "plano B"
Para manter sua agenda protecionista, Trump recorreu à Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. Diferente da lei anterior,este dispositivo permite a imposição de tarifas de até 15% por um período temporário de 150 dias para lidar com desequilíbrios nos pagamentos internacionais. Na prática, o governo planeja renovar esses ciclos de 150 dias para manter as taxas em vigor, desafiando a necessidade de aprovação legislativa imediata.
O funcionamento prático e o peso no consumidor
As tarifas funcionam como um imposto pago pelas empresas americanas que trazem produtos do exterior.Se uma mercadoria custaUS$ 100, com a nova alíquota de 15%, o custo sobe paraUS$ 115. Embora o governo argumente que isso incentiva a produção local, o custo adicional é frequentemente repassado ao consumidor final, elevando os preços em diversos setores da economia.
Exceções estratégicas e países poupados
Nem todos os produtos ou países serão afetados da mesma forma. As novas regras mantêm algumas isenções importantes:
- Acordos regionais: Produtos do Canadá e México continuam isentos sob o tratado USMCA.
- Itens essenciais: Medicamentos, minerais críticos, eletrônicos específicos e recursos energéticos possuem proteções para evitar desabastecimento.
- Cultura e pessoal: Livros, doações e bagagens de viagem permanecem fora da tributação.
O impacto direto nas exportações brasileiras
A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos tem sido marcada por oscilações bruscas sob a atual administração Trump.Após um período de tarifas elevadas (que chegaram a 50% em 2025 devido a tensões políticas), houve uma redução após negociações diretas entre os presidentes Lula e Trump. Com a decisão da Suprema Corte derrubando as taxas antigas, o cenário para o Brasil "reseta", mas a nova tarifa global de 15% gera uma nova camada de incerteza para exportadores brasileiros de carnes, café e minérios, que agora aguardam definições sobre possíveis novas isenções.
O governo Trump demonstra resiliência em sua política de "América Primeiro", substituindo rapidamente instrumentos jurídicos derrubados por novas proclamações. O foco agora se desloca para o impacto desses 15% nas cadeias de suprimentos globais e na capacidade do Congresso americano de reagir após o prazo de 150 dias. Para o Brasil e outros parceiros globais, o momento é de cautela diplomática e monitoramento das listas de isenções que podem ser publicadas nos próximos dias.
