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terça-feira, 2 de junho de 2026 às 10:42 GMT+0

Novo cofre do crime? Por que as Fintechs na Faria Lima viraram alvo das autoridades e como o "Efeito Trump" pode impactar o Brasil

As operações Carbono Oculto e Fluxo Oculto revelaram como organizações criminosas passaram a utilizar fintechs e fundos de investimento para movimentar e ocultar bilhões de reais dentro do sistema financeiro formal. O esquema estava ligado principalmente à adulteração de combustíveis e expôs falhas de controle que facilitaram a lavagem de dinheiro.

O que a investigação descobriu

  • Seis fintechs e quatro fundos de investimento foram alvo da operação.
  • Mais de R$ 26 bilhões circularam pelas fintechs investigadas entre 2022 e 2025.
  • As instituições funcionavam como porta de entrada para recursos ilícitos.
  • Os valores eram posteriormente distribuídos por fundos de investimento para dificultar o rastreamento.

Além disso, autoridades identificaram que diferentes organizações criminosas utilizavam as mesmas estruturas financeiras.

Como funcionava o esquema

O processo seguia um caminho relativamente simples:

  • Dinheiro obtido em atividades ilegais entrava nas fintechs.
  • Os recursos eram movimentados por diversas contas e operações.
  • Fundos de investimento ajudavam a ocultar a origem do patrimônio.
  • O dinheiro podia retornar à economia formal por meio de empresas, imóveis ou operações internacionais.

Por que as fintechs foram usadas

As investigações apontam alguns fatores que favoreceram esse uso:

  • Regras historicamente mais flexíveis que as aplicadas aos bancos tradicionais.
  • Falhas em controles de prevenção à lavagem de dinheiro.
  • Uso de contas com rastreamento limitado.
  • Crescimento acelerado do setor financeiro digital.

Também foram identificadas movimentações de cerca de R$ 365 milhões em criptomoedas, outro instrumento frequentemente utilizado para ocultar recursos.

O que mudou após as operações

Receita Federal e Banco Central reforçaram a fiscalização com medidas como:

  • Obrigação de envio de informações detalhadas sobre movimentações financeiras.
  • Maior controle sobre operações com criptomoedas.
  • Regras mais rígidas para novas fintechs.
  • Restrições a mecanismos que dificultavam a identificação dos usuários.

O objetivo é reduzir as brechas exploradas pelo crime organizado.

O desafio continua sendo a fiscalização

Especialistas alertam que criar regras não basta.

Os principais obstáculos continuam sendo:

  • Falta de recursos humanos e tecnológicos nos órgãos reguladores.
  • Crescimento rápido do mercado financeiro digital.
  • Sofisticação crescente dos mecanismos de lavagem de dinheiro.

O "Efeito Trump"

A pressão para reforçar os controles aumentou após os Estados Unidos classificarem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

Essa decisão pode gerar:

  • Maior vigilância sobre transações internacionais.
  • Risco de sanções a instituições que mantenham relações com organizações criminosas.
  • Exigências mais rigorosas de compliance para empresas brasileiras com negócios ligados ao sistema financeiro internacional.

Para especialistas, empresas precisarão conhecer melhor seus clientes, parceiros e beneficiários finais para evitar riscos regulatórios e financeiros.

As investigações mostraram que fintechs e fundos de investimento foram utilizados como ferramentas sofisticadas de lavagem de dinheiro, aproveitando brechas regulatórias e falhas de fiscalização. Embora as autoridades tenham endurecido as regras, o combate ao problema depende de supervisão constante, tecnologia e controles mais eficazes para impedir que o sistema financeiro seja utilizado pelo crime organizado.

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