Novo cofre do crime? Por que as Fintechs na Faria Lima viraram alvo das autoridades e como o "Efeito Trump" pode impactar o Brasil
As operações Carbono Oculto e Fluxo Oculto revelaram como organizações criminosas passaram a utilizar fintechs e fundos de investimento para movimentar e ocultar bilhões de reais dentro do sistema financeiro formal. O esquema estava ligado principalmente à adulteração de combustíveis e expôs falhas de controle que facilitaram a lavagem de dinheiro.
O que a investigação descobriu
- Seis fintechs e quatro fundos de investimento foram alvo da operação.
- Mais de
R$ 26 bilhõescircularam pelas fintechs investigadas entre 2022 e 2025. - As instituições funcionavam como porta de entrada para recursos ilícitos.
- Os valores eram posteriormente distribuídos por fundos de investimento para dificultar o rastreamento.
Além disso, autoridades identificaram que diferentes organizações criminosas utilizavam as mesmas estruturas financeiras.
Como funcionava o esquema
O processo seguia um caminho relativamente simples:
- Dinheiro obtido em atividades ilegais entrava nas fintechs.
- Os recursos eram movimentados por diversas contas e operações.
- Fundos de investimento ajudavam a ocultar a origem do patrimônio.
- O dinheiro podia retornar à economia formal por meio de empresas, imóveis ou operações internacionais.
Por que as fintechs foram usadas
As investigações apontam alguns fatores que favoreceram esse uso:
- Regras historicamente mais flexíveis que as aplicadas aos bancos tradicionais.
- Falhas em controles de prevenção à lavagem de dinheiro.
- Uso de contas com rastreamento limitado.
- Crescimento acelerado do setor financeiro digital.
Também foram identificadas movimentações de cerca de R$ 365 milhões em criptomoedas, outro instrumento frequentemente utilizado para ocultar recursos.
O que mudou após as operações
Receita Federal e Banco Central reforçaram a fiscalização com medidas como:
- Obrigação de envio de informações detalhadas sobre movimentações financeiras.
- Maior controle sobre operações com criptomoedas.
- Regras mais rígidas para novas fintechs.
- Restrições a mecanismos que dificultavam a identificação dos usuários.
O objetivo é reduzir as brechas exploradas pelo crime organizado.
O desafio continua sendo a fiscalização
Especialistas alertam que criar regras não basta.
Os principais obstáculos continuam sendo:
- Falta de recursos humanos e tecnológicos nos órgãos reguladores.
- Crescimento rápido do mercado financeiro digital.
- Sofisticação crescente dos mecanismos de lavagem de dinheiro.
O "Efeito Trump"
A pressão para reforçar os controles aumentou após os Estados Unidos classificarem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
Essa decisão pode gerar:
- Maior vigilância sobre transações internacionais.
- Risco de sanções a instituições que mantenham relações com organizações criminosas.
- Exigências mais rigorosas de compliance para empresas brasileiras com negócios ligados ao sistema financeiro internacional.
Para especialistas, empresas precisarão conhecer melhor seus clientes, parceiros e beneficiários finais para evitar riscos regulatórios e financeiros.
As investigações mostraram que fintechs e fundos de investimento foram utilizados como ferramentas sofisticadas de lavagem de dinheiro, aproveitando brechas regulatórias e falhas de fiscalização. Embora as autoridades tenham endurecido as regras, o combate ao problema depende de supervisão constante, tecnologia e controles mais eficazes para impedir que o sistema financeiro seja utilizado pelo crime organizado.
