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segunda-feira, 14 de abril de 2025 às 10:44 GMT+0

"Mulheres do Job" no TikTok: Mentoria, polêmicas e a realidade do trabalho sexual nas redes sociais

Nos últimos anos, profissionais do sexo têm ganhado visibilidade no TikTok e outras redes sociais, compartilhando suas rotinas, dicas de segurança e até oferecendo mentoria para iniciantes. Essa tendência, chamada de "mulheres do job" (abreviação de "garotas de programa"), gera debates entre quem enxerga a iniciativa como forma de combater estigmas e quem critica uma possível "romantização" da profissão. A BBC Brasil conversou com especialistas e trabalhadoras do sexo para entender os impactos desse fenômeno.

A ascensão das "mulheres do job" nas redes sociais

Profissionais como Sara Müller, Deusa Artemis e Mariel Fernanda acumulam milhares de seguidores no TikTok e Instagram, onde discutem abertamente seus trabalhos. Elas abordam desde questões práticas (como precificação e segurança) até desafios emocionais e sociais.

1. Objetivo: Desmistificar a profissão e criar uma rede de apoio.

2. Reação do público: Dividida entre elogios pela transparência e críticas por suposta glamorização.

Exemplo: Sara Müller, com 60 mil seguidores, rebate: "Não é romantizar, é mostrar a realidade".

Mentoria e dicas para iniciantes

Algumas influencers oferecem consultoria paga, como Mariel Fernanda, que ensina a produzir conteúdo adulto. Outras, como Dihmayara, alertam sobre os riscos:

"O job não é o mundo da Disney".

  • Foco: Segurança, saúde e estratégias para aumentar lucros.
  • Preocupação: Evitar que novas profissionais entrem no mercado sem conhecimento dos perigos.

O debate sobre "romantização" e estigma

Críticos argumentam que os vídeos podem banalizar os riscos da profissão, como violência e marginalização. Já as profissionais defendem que a visibilidade ajuda a combater preconceitos.

  • Antropólogo Thaddeus Blanchette (UFRJ):

"Ninguém questiona a glamourização de outras profissões. O problema é o estigma histórico".

  • Delegada Cyntia Carvalho:

"A prostituição de rua, muitas vezes ligada à vulnerabilidade, não tem nada de glamourizado".

Desigualdades dentro do trabalho sexual

Nem todas as profissionais têm acesso às redes sociais ou condições de trabalhar com segurança.

  • Pandemia: Ampliou a divisão entre quem migrou para o online e quem ficou em situações de risco.
  • Dados: Mulheres trans, negras e idosas enfrentam mais marginalização e violência.

Ativismo e busca por direitos

Organizações como a Tulipas do Cerrado, liderada por Juma Santos, unem gerações de profissionais para lutar por reconhecimento e direitos trabalhistas.

  • Estratégia: Combater estereótipos e pressionar por políticas públicas.
  • Exemplo: Na Bélgica, profissionais já conquistaram licença-maternidade.

As "mulheres do job" estão redefinindo a narrativa sobre o trabalho sexual, usando as redes para educar, alertar e criar comunidades. Enquanto algumas encontram empoderamento na visibilidade, outras enfrentam realidades brutais de exclusão. O desafio, segundo especialistas, é ampliar o debate sem ignorar as desigualdades estruturais, garantindo que todas as profissionais tenham voz e direitos. Como resume Juma Santos:

"Precisamos unir o novo e o antigo para fortalecer a categoria".

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