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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026 às 11:21 GMT+0

Ouro da Venezuela no Banco da Inglaterra: O impasse de 4 bilhões de dólares que desafia o mercado global

A recente reviravolta política e militar na Venezuela, culminando na detenção de Nicolás Maduro no início de 2026, reacendeu um dos impasses jurídicos e financeiros mais complexos da economia global contemporânea: O destino das 31 toneladas de ouro venezuelano custodiadas pelo Banco da Inglaterra.

Este metal precioso não representa apenas uma reserva de valor, mas um símbolo de soberania e um ativo crucial para a futura reconstrução econômica de um país dotado das maiores reservas de petróleo do mundo. Com a mudança drástica no comando em Caracas e a pressão renovada de Washington, o tabuleiro geopolítico se move em direção a uma definição necessária para os mercados internacionais.

O cenário geopolítico e a riqueza em jogo

  • A operação militar de janeiro de 2026 alterou o status quo da América do Sul. Com a ascensão de um novo governo, agora sob a liderança de Delcy Rodríguez, a comunidade internacional observa atentamente como os ativos externos da Venezuela serão geridos. O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, sinalizou que o acesso total aos recursos energéticos e minerais do país é uma prioridade estratégica para a estabilidade do suprimento global.
  • Além do petróleo, o subsolo venezuelano guarda jazidas massivas de ferro, bauxita e ouro. No entanto, o foco imediato está nas reservas já extraídas e armazenadas em solo britânico, cujo valor de mercado saltou de US 1,95 bilhão em 2020 para aproximadamente US 4,4 bilhões em 2026, acompanhando a valorização histórica do ouro no período.

O impasse jurídico no Banco da Inglaterra

Apesar da mudança de governo em Caracas, o ouro permanece retido. O Banco da Inglaterra, agindo como guardião institucional, mantém sua posição de cautela baseada em dois pilares principais:

  • Reconhecimento diplomático: O Reino Unido ainda não oficializou o reconhecimento pleno das novas autoridades como legítimas representantes do Estado venezuelano. Sem essa clareza política, o banco central britânico alega não ter segurança jurídica para liberar os ativos.
  • Paralisia judicial em Londres: Desde 2023, o processo na Corte Comercial de Londres está estagnado. O principal motivo é técnico-financeiro: o lado que representava o Banco Central da Venezuela (BCV) sob a gestão anterior não quitou as custas processuais impostas por decisões anteriores, travando o andamento do julgamento.

A relevância das reservas para a economia global

Para o mercado financeiro internacional, o caso venezuelano serve como um teste de estresse para o conceito de "custódia segura" em bancos centrais de potências ocidentais. Se por um lado a retenção protege os ativos de governos questionados, por outro, levanta debates sobre a neutralidade de instituições como o Banco da Inglaterra.

Atualmente, as 31 toneladas de ouro equivalem a quase 20% do orçamento nacional projetado para a Venezuela em 2026. Em um contexto de inflação global e busca por ativos tangíveis, a liberação ou transferência desse montante poderia:

1. Financiar a ajuda humanitária e a infraestrutura básica de energia.
2. Servir como lastro para a renegociação da pesada dívida externa venezuelana.
3. Influenciar a cotação do ouro, dependendo de como e quando esses lingotes forem liquidados no mercado aberto.

O legado de Chávez e a "proteção" dos ativos

  • A situação atual traz à tona a decisão de Hugo Chávez em 2011, quando ordenou a repatriação de quase todas as reservas de ouro para "proteger o patrimônio das gerações futuras" de possíveis congelamentos internacionais. Embora a maior parte tenha retornado à Venezuela, as 31 toneladas que permaneceram em Londres tornaram-se o último grande ativo soberano fora do alcance direto do governo de Caracas, transformando-se agora em uma peça fundamental de negociação na transição política.

Um tesouro ainda inacessível

  • O destino do ouro venezuelano no Reino Unido depende agora menos de argumentos jurídicos e mais de uma coordenação diplomática entre o novo governo em Caracas, o Foreign Office em Londres e a Casa Branca. Enquanto o reconhecimento oficial não ocorre, o ouro segue nos cofres subterrâneos da Threadneedle Street, funcionando como uma reserva estratégica que aguarda uma estabilidade institucional mínima para ser reinjetada na economia venezuelana.

O desfecho deste caso enviará um sinal claro sobre a segurança jurídica de reservas soberanas em tempos de crise e a capacidade das instituições financeiras globais em lidar com transições de poder em Estados ricos em recursos naturais.

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