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quinta-feira, 4 de setembro de 2025 às 11:42 GMT+0

Por que lobby em Washington falhou? Em reunião com empresários, EUA devolvem a Brasília a chave para solução do tarifaço

A recente viagem de uma delegação de executivos brasileiros a Washington, D.C., com o objetivo de reverter as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump, revelou uma verdade desconfortável: o problema não é econômico, mas sim profundamente político. O "tarifaço", como ficou conhecido, está menos ligado a dados e mais a uma estratégia geopolítica.

O recado direto de Washington

A delegação brasileira, que esperava dialogar sobre dados e prejuízos mútuos, teve um encontro que serviu como um banho de água fria. A conversa com Christopher Landau, figura de alto escalão do Departamento de Estado americano, deixou claro que a solução não viria por argumentos técnicos.

  • A abordagem técnica não funciona: Landau foi enfático ao afirmar que o Brasil é o único país que não terá uma solução técnica para o aumento das tarifas. Isso significa que argumentos sobre custo-benefício, inflação ou danos a empresas americanas não são considerados eficazes. A decisão é de outra natureza.
  • O problema está em Brasília: A orientação foi clara: os empresários deveriam focar suas ações junto ao próprio governo brasileiro, não em Washington. A mensagem é que a raiz do problema é um desentendimento político entre os dois governos, e a solução deve ser negociada em nível presidencial ou ministerial.
  • A decisão centralizada na Casa Branca: A busca por secretarias ou departamentos técnicos dos EUA, como o Tesouro, seria inútil. A decisão final emana diretamente da Casa Branca e depende unicamente da vontade de Donald Trump.

A estratégia da China e a resposta americana

Os executivos brasileiros tentaram usar um forte argumento de política econômica: o risco de a China sair fortalecida do impasse comercial.

  • O argumento do "ganha-Ganha da China": A delegação brasileira argumentou que o "tarifaço" poderia forçar o Brasil a buscar mercados alternativos, aumentando a dependência comercial e industrial da China, em detrimento dos interesses dos EUA.
  • A resposta fria de Trump: Segundo relatos, a resposta de Landau foi que "isso já estava na conta" do presidente Trump. Essa frase revela uma aceitação calculada dos custos econômicos colaterais em prol de outros objetivos estratégicos mais amplos.

As lições do "Tarifaço"

O episódio em Washington vai muito além de uma simples disputa comercial. Ele serve como um alerta e ilustra várias dinâmicas importantes das relações internacionais.

  • Política acima da economia: O caso demonstra como o comércio pode ser usado como uma ferramenta de pressão geopolítica, indo além de balanças comerciais.
  • Vulnerabilidade econômica: Evidencia a fragilidade de economias emergentes como o Brasil, que podem ser afetadas por mudanças unilaterais na política externa de grandes potências.
  • O fim do lobby tradicional: Mostra os limites da diplomacia corporativa quando as decisões são centralizadas na figura de um líder, que prioriza alinhamentos políticos.
  • Impacto real na economia: Apesar de ser uma questão política, as consequências são reais e tangíveis: aumento de custos para a indústria brasileira, risco de inflação e potencial perda de mercado.

A bola agora está com o Brasil

  • Apesar da mensagem dura, a missão empresarial foi considerada válida. Abrir e manter canais de diálogo é crucial em tempos de impasse. A conclusão é que a solução não está em Washington, mas sim em Brasília.

Caberá ao governo brasileiro decidir que tipo de contrapartidas políticas ou alinhamentos estratégicos estão dispostos a negociar para restaurar um relacionamento comercial que, pelos argumentos econômicos, é benéfico para ambas as nações. O "tarifaço" não é apenas uma guerra comercial; é um capítulo fundamental na redefinição da posição do Brasil no tabuleiro geopolítico global.

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