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segunda-feira, 6 de janeiro de 2025 às 11:11 GMT+0

O impacto do "Esporte de Elite" na fertilidade de atletas

Esportes de alto rendimento exigem dedicação extrema, mas será que o custo físico pode prejudicar a fertilidade de atletas, especialmente mulheres? Este é um debate crescente, alimentado por relatos como o da campeã olímpica Laura Kenny. A seguir, exploramos como a prática esportiva intensa pode afetar a saúde reprodutiva, baseando-se em estudos científicos e relatos de especialistas.

O caso de Laura Kenny

Laura Kenny é a atleta feminina mais bem-sucedida do Reino Unido, com cinco medalhas de ouro olímpicas. Apesar de sua trajetória brilhante, ela enfrentou desafios na maternidade, incluindo um aborto espontâneo e uma gravidez ectópica.

  • Laura dedicou seu corpo ao ciclismo por mais de uma década, treinando ao extremo.
  • Após as dificuldades na gravidez, ela questionou se os limites físicos impostos pelo esporte afetaram sua fertilidade.

Como o esporte intenso afeta o corpo das atletas?

O treinamento de elite exerce pressões únicas no corpo humano, especialmente em mulheres.

  • Deficiência relativa de energia no esporte (RED-S):
    Quando atletas queimam mais calorias do que consomem, podem sofrer com a interrupção dos ciclos menstruais e a falta de ovulação, essencial para a fertilidade.

  • Baixa gordura corporal:
    A gordura é crucial para a produção de estrogênio, um hormônio vital para a reprodução. A escassez desse hormônio pode comprometer o ciclo menstrual.

  • Estresse Psicológico:
    A pressão do desempenho também pode desregular a menstruação e dificultar a ovulação.

Quase dois terços das atletas de resistência, como corredoras e ciclistas, têm interrupções menstruais, enquanto na população geral o índice é de apenas 2% a 5%.

Riscos durante a gravidez

Mesmo quando conseguem engravidar, as atletas enfrentam desafios:

Gravidez ectópica:

  • Embora comum (11 mil casos anuais no Reino Unido), não há evidências claras ligando diretamente o esporte a esse tipo de gravidez.

Aborto espontâneo:

  • Estudos sugerem que exercícios intensos nos primeiros meses de gravidez podem aumentar o risco de aborto, especialmente em atividades de alto impacto.

A busca por soluções: Congelamento de óvulos

A crescente conscientização sobre os riscos levou algumas atletas a optarem pelo congelamento de óvulos para preservar a fertilidade enquanto continuam suas carreiras esportivas.

Conciliação de carreira e família:

Para muitas mulheres, os anos de pico de fertilidade coincidem com o auge físico no esporte, tornando o planejamento familiar um desafio.

Homens também enfrentam problemas

  • Atletas masculinos não estão isentos. O déficit de energia pode reduzir os níveis de testosterona, causar alterações no esperma e até disfunção erétil.

Benefícios do exercício moderado

Apesar dos riscos em casos extremos, a prática regular de exercícios tem benefícios:

  • Melhora da fertilidade:
    Ajuda a regular a menstruação e combater condições como a síndrome dos ovários policísticos (SOP).
  • Redução do estresse e melhora no sono:
    Dois fatores que impactam positivamente a saúde reprodutiva.

Pesquisas e perspectivas futuras

Ainda há muito a ser estudado sobre o impacto do esporte de elite na fertilidade. Especialistas afirmam que a ciência está atrasada quando se trata de mulheres atletas.

  • O Comitê Olímpico Internacional reconheceu o RED-S apenas em 2014.
  • Há uma demanda por estudos mais amplos e representativos para entender melhor os riscos e propor soluções eficazes.

Embora o esporte de elite traga glória e conquistas, ele também apresenta desafios únicos à fertilidade, principalmente para mulheres. A conscientização sobre o impacto físico e mental do treinamento extremo é essencial para equilibrar saúde e desempenho.

O debate iniciado por atletas como Laura Kenny é um passo importante para abrir diálogos e impulsionar pesquisas que garantam um futuro mais saudável para todos os envolvidos no esporte.

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