Ajuda humanitária a Cuba: Decisão do governo Lula pode impactar relações com Trump - Brasil pode entrar na mira dos EUA?
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estuda o envio de ajuda humanitária a Cuba diante do agravamento da crise energética que atinge o país caribenho. O movimento ocorre em um contexto de pressão renovada dos Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump, que intensificou medidas econômicas contra o regime cubano. A possível iniciativa brasileira envolve cálculos diplomáticos delicados e impactos regionais relevantes.
O que está em discussão no Brasil
Uma reunião realizada em Brasília tratou da possibilidade de envio de alimentos e medicamentos a Cuba. A articulação envolve a Agência Brasileira de Cooperação, vinculada ao Itamaraty, e pode contar com apoio dos ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Agrário.
Ainda não há definição sobre:
- Volume da ajuda
- Data de envio
- Modalidade de transporte.
Entre as alternativas estudadas está o envio por via aérea, com voos partindo da região Norte do Brasil para evitar a necessidade de reabastecimento em território cubano, que enfrenta escassez de combustível.
Por que a crise se agravou
- Cuba convive há anos com dificuldades estruturais, mas a situação se deteriorou nas últimas semanas após novas sanções anunciadas por Washington contra países que comercializem petróleo com Havana.
- Além disso, a interrupção do fornecimento de petróleo da Venezuela tradicional parceira de Cuba, agravou o quadro. O governo venezuelano mantinha um acordo de envio de petróleo em troca de serviços médicos cubanos. Com a ruptura desse fluxo, a crise energética atingiu níveis críticos.
- O presidente cubano Miguel Díaz-Canel classificou o cenário como um “bloqueio energético”, afirmando que os impactos afetam transporte, hospitais, escolas, turismo e produção de alimentos.
Impactos imediatos na ilha
A escassez de combustível já provocou:
- Restrição na venda de combustíveis
- Alteração no horário de funcionamento de bancos
- Cancelamento de eventos culturais
- Alertas a companhias aéreas sobre falta de querosene para aviação.
A empresa Air Canada anunciou a suspensão de voos para Cuba, enquanto outras companhias passaram a realizar escalas na República Dominicana antes de seguir para Havana.
O turismo, uma das principais fontes de renda do país, tende a ser um dos setores mais prejudicados.
O fator diplomático: Brasil entre Cuba e EUA
- A questão é considerada sensível dentro do governo brasileiro. Lula tem defendido publicamente solidariedade ao povo cubano, criticando as sanções norte-americanas.
- Ao mesmo tempo, o tema poderá surgir em eventual encontro entre Lula e Trump, previsto para março. O Brasil busca equilibrar sua tradição de cooperação humanitária com a necessidade de manter diálogo diplomático com Washington.
Mobilização internacional
- O México já enviou ajuda humanitária à ilha. Sob a liderança da presidente Claudia Sheinbaum, duas embarcações transportaram centenas de toneladas de alimentos e leite em pó, sinalizando apoio apesar das pressões norte-americanas.
- O Brasil, caso confirme o envio, repetiria gesto semelhante feito em fevereiro de 2024, quando encaminhou 125 toneladas de leite em pó no âmbito de acordo internacional voltado à segurança alimentar.
Solidariedade em xeque
- A possível ajuda brasileira a Cuba ocorre em um momento de forte tensão geopolítica e aprofundamento da crise econômica na ilha. A decisão envolverá não apenas aspectos humanitários, mas também estratégicos, já que coloca o Brasil no centro de uma disputa diplomática entre Havana e Washington.
Mais do que um gesto de solidariedade, o movimento poderá redefinir o posicionamento brasileiro no cenário regional e testar o equilíbrio da política externa em um contexto de crescente polarização internacional.
