Canadá em luto: Quem era Jesse van Rootselaar? O histórico da autora do ataque de Tumbler Ridge
O Canadá enfrenta um profundo luto nacional após o ataque ocorrido em 11 de fevereiro de 2026, na pequena cidade de Tumbler Ridge, Colúmbia Britânica. O incidente, que resultou na morte de nove pessoas e deixou 25 feridos, choca pela violência e pelo impacto em uma comunidade de apenas 2,4 mil habitantes, onde a segurança costuma ser a regra absoluta.
A dinâmica do ataque e o perfil da autora
O crime começou em uma residência, onde Jesse van Rootselaar, de 18 anos, assassinou sua mãe e seu meio-irmão antes de seguir para a Escola Secundária Tumbler Ridge. Na instituição, seis pessoas foram mortas, uma professora e cinco adolescentes. A polícia acredita que as vítimas na escola foram escolhidas de forma aleatória.
- Histórico de Jesse: Embora fosse uma mulher trans em transição há seis anos, a polícia descartou, até o momento, a hipótese de bullying escolar como motivação. Jesse sofria de problemas de saúde mental documentados e já havia tido crises anteriores envolvendo armas.
- Armamento: Foram encontradas no local uma arma longa e uma pistola modificada. Jesse possuía um porte de arma que expirou em 2024 e não tinha armas registradas em seu nome no momento do crime.
O papel heroico do brasileiro Jarbas Noronha
O professor brasileiro Jarbas Noronha, que leciona mecânica e marcenaria na escola, foi peça-chave para salvar a vida de 15 alunos. Ao ouvir os disparos e o sinal de alerta, ele e os estudantes agiram com rapidez:
"Usamos bancos de metal para fazer uma barricada. Estávamos na parte mais segura da escola. Se alguém tentasse entrar, correríamos para fora pelos portões", relatou o professor ao jornal The New York Times.
Eles permaneceram escondidos por mais de duas horas até serem resgatados pela polícia. A resposta rápida das autoridades, que chegaram em dois minutos, foi fundamental para evitar que o massacre fosse ainda maior.
Panorama histórico: Ataques a tiros no Canadá
Embora o evento em Tumbler Ridge seja devastador, ataques a tiros são considerados raros no Canadá, especialmente quando comparados às estatísticas dos Estados Unidos. Historicamente, massacres de grande escala no país impulsionaram mudanças severas na legislação de armas.
Entre os marcos mais significativos da história canadense, destacam-se:
- Dezembro de 1989 (Montreal): O massacre na Polytechnique Montréal, onde 14 mulheres foram mortas. O crime resultou no fortalecimento da verificação de antecedentes criminais e no registro obrigatório de posse.
- Dezembro de 2014 (Edmonton): Um assassinato em massa que vitimou oito pessoas (seis adultos e duas crianças) seguido pelo suicídio do atirador.
- Janeiro de 2017 (Quebec): Ataque ao Centro Cultural Islâmico que deixou 6 mortos e 19 feridos. O autor foi condenado à prisão perpétua.
- Abril de 2020 (Nova Escócia): Até então, o pior massacre da história do país, com 22 mortos em dois dias. O crime levou o governo de Justin Trudeau a proibir 1,5 mil tipos de armas de assalto e suspender a compra e venda de armas de fogo.
A questão das armas na Colúmbia Britânica
- Apesar do congelamento nacional da posse de armas curtas em 2022, o Canadá possui um alto número de proprietários de armas em áreas rurais. A Colúmbia Britânica, onde ocorreu o ataque de 2026, mantém historicamente uma das maiores taxas de posse de armas de fogo do país, muitas vezes ligadas à caça e à proteção em regiões isoladas.
A tragédia em Tumbler Ridge reacende um debate doloroso para os canadenses. Embora o país possua leis rigorosas e uma cultura de segurança comunitária, incidentes como este expõem falhas persistentes no monitoramento de saúde mental e no controle de armas modificadas ou ilegais. O luto da pequena cidade é agora o luto de toda uma nação que, mais uma vez, se vê forçada a revisar suas políticas de segurança para garantir que a escola continue sendo um lugar de aprendizado e não de pavor.
