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sábado, 28 de junho de 2025 às 10:47 GMT+0

Brasil e a nova corrida nuclear: Desafios do desarmamento em um mundo em crise

A ameaça nuclear ressurge com força total no cenário global, marcando o colapso de tratados históricos, a modernização de arsenais e o avanço de programas atômicos controversos. Nesse contexto de crescente incerteza, o Brasil, com sua sólida tradição diplomática e compromisso com o desarmamento, enfrenta desafios estratégicos que podem redefinir seu papel no cenário internacional.

O cenário global de proliferação nuclear: Um mundo em alerta

  • A fragilização dos acordos internacionais é notória. O Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), um pilar da segurança global, está sendo questionado por países que antes o defendiam. A instabilidade política, especialmente com o retorno de Donald Trump nos Estados Unidos, gera incertezas entre aliados importantes como Coreia do Sul e Japão, que podem se sentir compelidos a buscar suas próprias capacidades nucleares para garantir sua segurança.

  • No Oriente Médio, a situação é particularmente volátil com o Irã. O país já acumula mais de 400 kg de urânio enriquecido a 60%, um nível alarmantemente próximo do necessário para a produção de armas nucleares. Israel, sentindo-se ameaçado, ataca com ações militares preventivas, enquanto a Arábia Saudita demonstra interesse em enriquecer urânio, aumentando exponencialmente as tensões regionais.

  • Ao mesmo tempo, uma nova corrida armamentista está em curso. China, Rússia e Estados Unidos investem pesadamente em tecnologias hipersônicas e modernizam seus arsenais nucleares, criando um ambiente de insegurança estratégica sem precedentes, onde a cada inovação tecnológica corresponde uma nova ameaça e uma menor previsibilidade.

O Brasil e seu histórico no desarmamento: Um pilar de coerência

  • O Brasil possui um histórico exemplar no campo do desarmamento. A Constituição Federal de 1988 proíbe expressamente o uso militar da energia nuclear (Artigo 21, XXIII), e o país é signatário de importantes acordos internacionais, como o TNP e o Tratado de Tlatelolco, que estabeleceu a América Latina como a primeira zona livre de armas nucleares do mundo.

  • Apesar de ser um defensor da não proliferação, o Programa Nuclear Brasileiro domina a tecnologia de enriquecimento de urânio e desenvolve um submarino de propulsão nuclear. Embora legítimos e com fins pacíficos, esses projetos podem gerar desconfiança em um contexto global tão tenso, exigindo transparência e comunicação eficaz por parte do Brasil.

Desafios atuais e contradições: O dilema da diplomacia brasileira

  • A recente entrada do Irã no BRICS em 2024 coloca o Brasil em um dilema diplomático significativo. O Irã é acusado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) de violar regras de não proliferação. Essa situação exige que o Brasil defina uma postura clara: manter sua tradicional coerência diplomática em defesa do desarmamento ou adotar um pragmatismo político que pode comprometer sua imagem internacional.

  • Além disso, as assimetrias entre potências são evidentes. Enquanto o Brasil defende fervorosamente o desarmamento, outros membros do BRICS, como China e Índia, modernizam e expandem seus arsenais nucleares sem aceitar restrições internacionais equivalentes. Essa disparidade coloca em xeque a eficácia das normas globais e a própria credibilidade da busca por um mundo desnuclearizado.

O papel regional do Brasil: Fortalecendo a paz na América do Sul

  • A América do Sul se destaca como um exemplo de estabilidade nuclear, em grande parte devido a acordos como o Tratado de Tlatelolco. É fundamental que o Brasil continue a fortalecer mecanismos de cooperação, como a Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (ABACC), e promova medidas de transparência entre os países vizinhos para garantir que a região permaneça livre de armas nucleares.

  • A inação do Brasil, ou uma postura ambígua, poderia ter sérias consequências. Se o país não reafirmar seu compromisso com a não proliferação, poderá perder protagonismo em fóruns multilaterais cruciais como a ONU e a AIEA, além de abrir espaço para interpretações equivocadas sobre suas verdadeiras intenções em relação à tecnologia nuclear.

Ação e liderança

  • O mundo se encontra em uma encruzilhada perigosa, oscilando entre a cooperação internacional e uma escalada armamentista. Para o Brasil, este é um momento decisivo. Manter sua tradição de defesa do desarmamento e da não proliferação significa preservar sua credibilidade e liderança em questões globais de segurança. Qualquer ambiguidade pode levar ao isolamento diplomático e à perda de influência em um cenário global cada vez mais volátil.

A escolha do Brasil não se resume apenas à política externa; ela molda o lugar que o país deseja ocupar no mundo. Reafirmar seus compromissos históricos e propor iniciativas inovadoras pode ser o caminho para fortalecer a segurança coletiva e, assim, evitar uma nova e perigosa era de conflitos nucleares.

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