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quinta-feira, 9 de abril de 2026 às 10:15 GMT+0

Dois "Brasis": Estado oficial vs Crime organizado na disputa eleitoral de 2026 - Desafios da reeleição de Lula

Na entrevista à BBC News Brasil, o ministro e coordenador político da campanha de reeleição de Lula, Wellington Dias, aborda três eixos centrais: o avanço do crime organizado no país, os desafios de popularidade do governo e o cenário eleitoral de 2026. Ele reconhece dificuldades, defende ações do governo e projeta melhora até o período eleitoral.

1. Segurança pública e o “Estado paralelo”

Um dos pontos mais fortes da entrevista é o diagnóstico sobre a criminalidade:

  • Existência de dois sistemas de poder: Dias afirma que o Brasil convive com um “Estado oficial” e um “Estado paralelo”, dominado por organizações criminosas.
  • Avanço do crime organizado: Segundo ele, facções ampliaram influência, inclusive com conexões econômicas e empresariais.
  • Comparações internacionais: O ministro cita exemplos como México, Itália e até regiões dos EUA para ilustrar a infiltração do crime em estruturas formais.

Resposta do governo:

  • Sanção da Lei Antifacção (aumento de penas).
  • Proposta da PEC da Segurança Pública para integração entre União e estados.
  • Limitação atual: A população ainda não percebe melhora significativa na segurança.
  • Expectativa: O governo aposta em redução da sensação de insegurança até as eleições.

2. Popularidade do governo e percepção pública

Dias reconhece desgaste, mas contesta a gravidade:

Avaliações divergentes:

  • Pesquisas públicas indicam maior reprovação.
  • Pesquisas internas do governo apontam aprovação acima de 50%.

Motivos da queda de popularidade:

  • Falha na comunicação sobre a “herança” recebida.
  • Episódios de violência com repercussão negativa.
  • Impacto de juros altos e endividamento.

Fatores positivos destacados:

  • Crescimento econômico (~3%).
  • Redução da pobreza.
  • Saída do Brasil do Mapa da Fome.
  • Queda do desemprego.

3. Economia, juros e endividamento

Um dos principais focos de insatisfação popular:

  • Problema central:
    Alto nível de endividamento das famílias.
  • Crítica indireta à política monetária:
    Juros considerados elevados para o cenário econômico.
  • Responsabilização compartilhada:
    Governo aponta heranças fiscais (precatórios, dívidas).

Medidas adotadas:

  • Programa Desenrola (renegociação de dívidas).
    Possível nova versão do programa.
  • Impacto político:
    Endividamento afeta principalmente jovens e pequenos empreendedores.

Cenário eleitoral de 2026

A disputa é tratada como competitiva e polarizada:

Crescimento do adversário:

  • Flávio Bolsonaro aparece em ascensão nas pesquisas.
  • Redução da vantagem de Lula e possibilidade de empate técnico.

Visão do governo:

  • Não há clima de “já ganhou”.
  • Eleição será disputada voto a voto.

Comparação com 2022:

  • Dias considera o cenário atual menos adverso.

Estratégia:

  • Ampliar alianças estaduais.
  • Intensificar articulação política.

Grupos eleitorais estratégicos

Jovens

  • Maior desaprovação.

Motivos:

  • Experiência recente de crise econômica.
  • Endividamento.
  • Estratégia: geração de emprego e crédito.

Evangélicos

  • Predominância de oposição ao governo.

Explicação:

  • Influência de desinformação (ex.: fechamento de igrejas).
  • Ação: diálogo e aproximação institucional.

Mulheres e indecisos

  • Grupo visto como decisivo.

Estratégia:

  • Discurso de estabilidade, emprego e políticas sociais.
  • Rejeição à ideia de voto influenciado apenas por figuras públicas.

Soberania e política externa

  • Rejeição a interferência internacional:
    Governo afirma que não aceitará influência externa nas eleições.
  • Crítica a adversários:
    Declarações consideradas “entreguistas” em relação a interesses estrangeiros.
    Princípio central: defesa da soberania nacional.

Outros temas relevantes

  • Investigação envolvendo familiares de Lula:
    Governo afirma confiar na Justiça e nega preocupação política.
  • Idade de Lula:
    Dias defende capacidade física e política do presidente.
  • Fim da escala 6x1:
    Apoio à redução da jornada de trabalho.
    Argumento de modernização e melhoria da qualidade de vida.

Estado oficial vs. Estado paralelo

A entrevista revela um governo que reconhece desafios importantes, especialmente na segurança pública, economia e percepção popular, mas que aposta em melhora gradual até as eleições. O diagnóstico mais contundente é o da coexistência entre Estado formal e crime organizado, apontado como um dos maiores obstáculos do país. Ao mesmo tempo, o cenário eleitoral é visto como competitivo e incerto, exigindo forte articulação política e reconexão com setores estratégicos da sociedade.

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