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sábado, 29 de novembro de 2025 às 10:44 GMT+0

Fim das tarifas de 40%: Por que o Financial Times chamou a vitória de Lula de "lição" contra Trump (TACO trade explicado)

Um artigo de opinião publicado no jornal Financial Times (FT) nesta sexta-feira (28/11) destacou a forma como o Brasil lidou com as ameaças de tarifas impostas pelo ex-presidente americano Donald Trump, classificando-a como uma "lição" de negociação.
A jornalista Gillian Tett, do FT, sugere que o recuo de Trump no aumento de tarifas contra produtos brasileiros é mais um exemplo da chamada estratégia "Taco".

A estratégia "Taco" e o recuo de Trump

  • O significado de 'Taco': A sigla 'Taco' (Trump Always Chickens Out) foi cunhada no próprio Financial Times e significa, em tradução livre, "Trump sempre amarela".
  • A apostas dos investidores: Essa estratégia se baseia na crença de que, após anunciar grandes aumentos de tarifas, o presidente americano Donald Trump sempre acaba recuando de sua posição inicial.
  • O caso Brasil: Quatro meses antes do recuo, Trump havia anunciado tarifas adicionais de 40% sobre as importações brasileiras.
  • A vitória de Lula: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu com firmeza à intimidação, defendendo os tribunais e aumentando sua popularidade interna. Na semana passada, Trump declarou que certas importações agrícolas brasileiras não seriam mais sujeitas à sobretaxa adicional de 40%, o que levou a jornalista a concluir: "Lula venceu".

As três lições do Brasil sobre negociar com Trump

O episódio, segundo a jornalista do FT, oferece três lições fundamentais sobre como lidar com o ex-presidente americano:

1. A pressão do custo de vida:

  • A Casa Branca demonstrou estar nervosa com o aumento do custo de vida para o consumidor americano. Pesquisas indicavam queda na confiança do consumidor e na taxa de aprovação de Trump. O corte das tarifas agrícolas brasileiras se tornou uma medida óbvia para tentar reduzir os preços dos alimentos.

2. Responder à intimidação com força:

  • Pessoas que praticam bullying (intimidação) costumam responder a demonstrações de força.
  • Embora a bajulação às vezes funcione (como no caso da Suíça), a postura firme do Brasil sugere que confrontos diretos ou demonstrações de força são estratégias eficazes.
  • A lição é que negociadores devem avaliar como explorar os pontos fracos de Trump, em vez de ceder à intimidação.

3. Diferenciar táticas de objetivos reais:

  • É crucial distinguir as táticas melodramáticas de Trump de seus objetivos estratégicos.
  • Apesar de sua imprevisibilidade, Trump possui um instinto de hegemonia econômica e política em negociações, buscando vantagem para os EUA e seu círculo íntimo.
  • As manobras dramáticas são muitas vezes táticas e não ideológicas. É precisamente por isso que a Casa Branca se sente à vontade para mudar de rumo sem pudor se uma medida se mostrar contraproducente ou se surgir uma prioridade maior. O desaparecimento repentino das tarifas brasileiras é um exemplo disso.

A colunista conclui que o triunfo do Brasil "enviou sinais bastante positivos para os europeus e outros", mostrando que:

"Os reis raramente são tão onipotentes quanto parecem".

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