Lula fora em 2026? Entenda por que a The Economist recomenda que o presidente não dispute a reeleição
Com a proximidade das eleições presidenciais de outubro de 2026, o cenário político brasileiro ganha contornos de urgência internacional. Em análise recente, a revista britânica The Economist reacendeu o debate sobre a sucessão no Brasil, argumentando que o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, deveria abrir mão de um quarto mandato. A publicação sustenta que, apesar da resiliência democrática e do vigor político do petista, fatores como a idade avançada e a necessidade de renovação econômica tornam sua candidatura um risco para o futuro do país.
O fator geracional e o "fantasma" de Biden
O ponto central da crítica reside na idade de Lula, que completará 81 anos em 2026. A revista traça um paralelo direto com o ex-presidente americano Joe Biden, cuja insistência em permanecer na disputa em 2024 gerou crises de confiança e terminou de forma desfavorável para os democratas.
- Risco biológico e cognitivo: A publicação enfatiza que o carisma político não anula o declínio natural das capacidades cognitivas. Reeleger um líder para governar até os 85 anos é visto como uma aposta perigosa para a estabilidade institucional.
- Histórico de saúde: O texto relembra o susto médico de dezembro de 2024, quando Lula passou por uma cirurgia cerebral após um acidente doméstico. Para a revista, esses sinais reforçam a necessidade de uma transição geracional.
A crítica ao modelo econômico e ao legado ético
Além da biologia, a The Economist avalia o desempenho da gestão atual. Embora reconheça que a economia brasileira demonstrou uma resiliência inesperada, a revista classifica as políticas de Lula como "medíocres".
- Arrecadação vs. Investimento: O foco excessivo em aumentar a arrecadação tributária para custear transferências de renda é visto como um entrave ao setor produtivo. Embora a reforma tributária tenha sido um avanço, a revista aponta que o ambiente de negócios ainda sofre com a falta de reformas estruturais mais profundas.
- A mancha da corrupção: A análise destaca que o peso dos escândalos de gestões anteriores ainda é um fator de divisão nacional, impedindo Lula de ser um nome de consenso para além de sua base fiel.
A falta de um sucessor e o vácuo na esquerda
- Um dos problemas identificados é que, à semelhança de Biden, Lula não preparou um herdeiro político claro. Fernando Haddad, embora seja o nome mais próximo, é descrito como alguém com dificuldades de penetração popular devido ao seu perfil intelectualizado, o que abre espaço para que a esquerda fique órfã caso o atual presidente não concorra.
O cenário na direita: A ascensão de Tarcísio de Freitas
Enquanto Lula mantém o controle da esquerda, a direita brasileira busca novos rumos. Com Jair Bolsonaro enfrentando problemas judiciais severos, a revista identifica uma disputa pelo espólio político do conservadorismo.
- O declínio dos Bolsonaro: A aposta em Flávio Bolsonaro é vista como ineficaz e incapaz de derrotar Lula.
- Tarcísio como alternativa viável: O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, é apresentado como o candidato mais promissor. Com 50 anos, ele personifica o equilíbrio que a revista defende: uma gestão técnica, focada em redução de burocracia e respeito às instituições, distanciando-se do radicalismo.
A mensagem da The Economist é de que o Brasil merece uma disputa entre candidatos que representem o futuro, e não uma reedição de polarizações passadas. Para a publicação, Lula prestaria um serviço ao país ao consolidar seu legado como o político mais bem-sucedido da redemocratização e permitir que uma nova liderança de centro-esquerda emerja. O desejo da revista é por um pleito em 2026 que ofereça vigor físico, renovação econômica e compromisso inabalável com o Estado de Direito.
