Trump vs. América Latina: O plano do Brasil para não ser o próximo alvo - Os riscos reais para a soberania brasileira em 2026
O cenário geopolítico de 2026 trouxe desafios sem precedentes para a diplomacia brasileira. O ataque direto dos Estados Unidos à Venezuela e a captura de Nicolás Maduro não apenas alteraram o mapa de poder na América do Sul, mas também colocaram à prova a histórica estratégia de pragmatismo e mediação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Enquanto a região lida com a instabilidade, o Brasil busca equilibrar sua condenação à violação do direito internacional com a necessidade de manter canais abertos com a administração de Donald Trump.
A resiliência brasileira frente à ofensiva de Trump
Diferente de vizinhos mais dependentes de um único setor econômico, o Brasil demonstrou uma capacidade de resistência que surpreendeu analistas. O país entrou em 2026 após superar um período de fortes sanções e tarifas impostas pela Casa Branca em 2025, sem precisar fazer concessões políticas significativas.
- Diversificação econômica: Enquanto a Venezuela se viu vulnerável por sua dependência exclusiva do petróleo, a cadeia produtiva diversificada do Brasil e sua força como exportador de commodities globais garantiram uma autonomia maior.
- Prestígio internacional: A figura de Lula ainda é vista como um contraponto necessário. O fato de o governo Trump ter recuado em tarifas e sanções financeiras (como a Lei Magnitsky aplicada a autoridades brasileiras) no final de 2025 sugere que Washington reconhece o custo de um rompimento total com Brasília.
- Estabilidade regional: O foco atual do Itamaraty é garantir que a gestão de Delcy Rodríguez na Venezuela mantenha a estabilidade mínima, evitando crises humanitárias na fronteira e protegendo o fornecimento de energia e insumos básicos.
O desafio do "Poder bruto" vs. Diplomacia clássica
O maior obstáculo para o Brasil não é apenas econômico, mas metodológico. As "armas" tradicionais da nossa diplomacia, o multilateralismo, a ONU e os blocos regionais parecem perder eficácia em um mundo regido por esferas de influência e pela força militar.
A crise do multilateralismo
- Com organizações como o Mercosul e a Unasul enfraquecidas, o Brasil perde o "guarda-chuva" coletivo que historicamente usou para projetar poder sem disparar um tiro. O atual contexto sugere que potências como EUA, China e Rússia estão impondo suas vontades em seus respectivos "quintais", ignorando mediadores.
O equilíbrio entre as superpotências
O Brasil se vê em uma corda bamba diplomática. Para manter sua soberania, o governo busca:
- Manter o diálogo com Trump: Evitar o confronto direto para proteger interesses comerciais.
- Aproximação com o Eixo Leste: Fortalecer laços com a China e a Rússia, não como uma afronta aos EUA, mas como uma estratégia de diversificação de riscos.
- Coerência nas críticas: Condenar violações territoriais tanto na Ucrânia quanto na Venezuela, utilizando o Direito Internacional como escudo moral.
O caminho da dissuasão: Investimento em defesa
A percepção dentro do governo e entre especialistas é de que a diplomacia, por si só, pode não ser suficiente para garantir a soberania a longo prazo. Isso gerou um debate urgente sobre o fortalecimento das Forças Armadas brasileiras, focado em três pilares estratégicos:
1. Defesa antiaérea (Projeto Astros 2020): A necessidade de expandir a artilharia de foguetes e mísseis para proteger o território contra incursões externas.
2. Submarino de propulsão nuclear: Visto como o maior ativo de dissuasão naval, permitindo patrulhas prolongadas e rápidas na "Amazônia Azul".
3. Modernização da Força Aérea: A aceleração da entrega dos caças Gripen para garantir a superioridade aérea regional.
O grande desafio para essas metas é o arcabouço fiscal. O governo enfrenta o dilema de flexibilizar gastos para a defesa em um momento de pressão por equilíbrio nas contas públicas.
O pragmatismo em tempos de incerteza
O Brasil de 2026 encontra-se em uma encruzilhada. A queda de Maduro e a intervenção americana deixaram claro que o isolacionismo não é uma opção, mas o alinhamento total também é perigoso. A estratégia de Lula e do Itamaraty continua sendo a de "concordar em discordar", mantendo o pragmatismo econômico enquanto busca reconstruir coalizões internacionais que defendam a autodeterminação dos povos.
A sobrevivência da influência brasileira dependerá da capacidade do país em se tornar "forte o suficiente para ser respeitado, mas diplomático o suficiente para ser necessário".
