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sábado, 25 de abril de 2026 às 10:45 GMT+0

Por trás de todo vício existe uma dor: Você sabe qual é a sua? Por que a causa é o trauma, não a escolha

O médico canadense Gabor Maté propõe uma mudança profunda na forma como entendemos os vícios. Em vez de enxergá-los como falhas morais, escolhas individuais ou meros problemas biológicos, ele defende que são respostas a dores emocionais frequentemente ligadas a traumas, especialmente na infância. Sua abordagem enfatiza a necessidade de compreender as causas do sofrimento, e não apenas combater os sintomas.

A pergunta central não é “qual é o vício?”, mas “qual é a dor?”

  • O vício funciona como um mecanismo de alívio: reduz estresse, solidão, vazio emocional ou falta de propósito.
  • Ele preenche necessidades humanas não atendidas, como conexão, segurança e autoestima.
  • Por isso, entender o vício exige investigar a dor emocional por trás do comportamento.
  • Quanto maior a adversidade na infância, maior o risco de desenvolver dependência na vida adulta.

O foco atual falha ao ignorar as causas reais

  • A sociedade e o sistema de saúde tendem a tratar apenas os sintomas (uso de substâncias ou comportamentos compulsivos).
  • Há pouca atenção ao trauma emocional e às experiências de vida do indivíduo.
  • A formação médica muitas vezes negligencia o estudo do trauma psicológico.
  • A abordagem dominante ainda pergunta “o que há de errado com você?”, quando deveria perguntar “o que aconteceu com você?”.

Vício não é uma escolha consciente

  • A ideia de que dependência é uma decisão pessoal sustenta políticas punitivas e estigmatização.
  • Maté argumenta que ninguém escolhe sofrer, o vício surge como tentativa de lidar com essa dor.
  • Portanto, punição e exclusão tendem a agravar o problema, não resolvê-lo.
  • O tratamento eficaz exige empatia, apoio e compreensão.

Genética não é destino

  • Pode existir predisposição genética, mas isso não determina o desenvolvimento de um vício.
  • O ambiente familiar e emocional tem papel decisivo.
  • Comportamentos e padrões emocionais podem ser aprendidos e reproduzidos entre gerações.
  • A herança mais importante muitas vezes não é genética, mas relacional e psicológica.

O vício é mais comum e amplo do que parece

  • Não se limita a drogas ou álcool — pode envolver trabalho, compras, jogos, sexo, poder, tecnologia, entre outros.
  • O critério central é: busca constante por prazer ou alívio imediato, apesar de consequências negativas e dificuldade de parar.
  • A sociedade moderna, inclusive, incentiva certos vícios (como o excesso de trabalho), tornando-os socialmente aceitáveis.

Exemplos pessoais reforçam a universalidade do problema

  • O próprio Gabor Maté relata vícios em trabalho e compras.
  • Esses comportamentos estavam ligados a sentimentos profundos de inadequação e necessidade de validação.
  • Isso ilustra que o vício não depende da substância em si, mas da relação emocional com a atividade.

A visão de Gabor Maté redefine o vício como uma resposta humana ao sofrimento, e não como falha de caráter ou simples doença biológica. Essa perspectiva sugere uma mudança prática importante: substituir punição por compaixão, e controle por compreensão. Ao focar nas raízes emocionais especialmente nos traumas abre-se caminho para tratamentos mais eficazes e humanos, além de uma sociedade menos julgadora e mais consciente das causas profundas do comportamento humano.

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